domingo, 11 de março de 2012

Vulnerabilidade



E aí que sou uma vulnerável e não é nem o tipo de coisa que preciso dizer, os olhos dizem muito, sabe, igual esse vídeo da Tracy, ela diz tanto com os olhos, transparentes, falantes, pensantes, ela olha para o público parece pensar neles, na apresentação, depois ela olha pra dentro dela, no que está dizendo, parece refletir e reflete em brilho pra gente, sem máscara. Não me canso de assistir, é apaixonante.

E a coisa mais linda que quero ver no outro é isso, esquece a fala, todo o discurso, os artifícios, esquece a roupa, esquece tudo, fica só a essência, essa tal de vulnerabilidade.

E aí, relaciono a necessidade de criar um poema, um vídeo, uma foto, um desenho com esse papo. Criar é uma dúvida que não busca resposta, vejo o artista como um vulnerável, por necessidade.

Mas e cabe? Não, não cabe. Admirável, em um conceito generalizado, é ser forte, sem dor, sem fraqueza. Ser vulnerável é se bobo, o perdedor.

 Eu não caibo e nem quero caber.

sábado, 14 de janeiro de 2012

A moda é reflexo do momento social presente.


Seminua

A tendência de moda “seminua” começou em 2008, 2009 mais ou menos, a Europa passou e atualmente ainda passa por verões muito mais quentes que o comum, então marcas tradicionais como a Chanel diminuíram os comprimentos, focados em lucrar com a nova necessidade de mercado; nós elite brasileira os copiamos, o que denota um paradoxo, já que nosso país sempre teve temperaturas muito mais altas que as europeias. Nos estados brasileiros mais quentes é comum vestir pouca roupa, o que é confortável e condizente ao clima, porém, como nossa moda é extremamente elitizada e quem é da elite costuma só enxergar seu microambiente perguntam: “Por que as mulheres estão cada vez mais peladas?” sem se dar conta que a maioria das mulheres brasileiras antes da Chanel lançar micro comprimentos já os usava. Em cidades como São Paulo, usar mini shorts não era tão comum como é agora, mesmo nos verões mais quentes. Somos o estado mais plagiador de costumes estrangeiros, se lá não era tendência, logo aqui era ”proibido”. 

Vestido Bandage
 Volto o foco na elite, o comprimento das roupas não só diminuiu como também está mais colado a pele, o vestido que mais faz sucesso nas baladas é o modelo Bandage, criação de Herve Leger's tendência em alta há alguns anos com milhares de cópias. Como podem ver na foto é praticamente succionado o reflexo do presente momento de extremo culto ao corpo, moldado por cirurgias e academias em busca de um corpo que custa fisicamente, psicologicamente e financeiramente caro. Enquanto Maria Antonieta se diferenciava da plebe criando vestidos e adornos inacessíveis, a elite atual se diferencia exibindo corpos esculturais, sendo este  um dos motivos do vestido Bandage fazer tanto sucesso nos red carpets usados por representantes da “nova aristocracia”,  as celebridades.  E como conseqüência  natural do fluxo da moda, o que é sucesso nas baladas freqüentadas pela burguesia, chega nas classes mais baixas de forma desatualizada.


Transparência
Dando continuidade a essa pegada seminua, as rendas e transparências agora são o novo hit fashion. Blusas de renda usadas com lingerie amostra, blusa branca com sutiã preto, saias transparentes, etc. Não estou ditando o que deve ser usado, mas relatando minhas pesquisas, observações de rua e também minha convivência com seguidores da moda. 



Androginia

Calça saruel
Em paralelo a tendência seminua, surge a androginia, que é marcada por peças masculinas como o sapato oxford e peças soltas que não marcam o corpo como por exemplo a calça saruel.  Apesar da moda seminua atual ser permeada por diversas razões já citadas equiparo-a  tendência andrógina,  mesmo sendo esteticamente opostas, por ambas representarem um diálogo de liberdade feminina.  É muito questionável e delicado afirmar que uma mulher use saia curta por se sentir livre, pois esta pode também ser apenas vítima da moda, da necessidade em agradar o olhar masculino, da ostentação do corpo, etc. Mas por que não ter a roupa mini como conceito de liberdade, assim como foi nos anos 60? Como citei pode haver tantas outras intenções e influências a essa moda, mas devo lembrar que só é possível ver tantas meninas de roupa curta independente de seus motivos pessoais, por vivermos com mais liberdade com a própria sexualidade. Um corpo exposto está acompanhado de uma mente livre de culpas.
Ombreiras largas, anos 80
Visual masculino atual
Voltando a tendência andrógina, esta também pode ser justificada por diversas razões, como uma forma de se perguntar “o que é o feminino?”.  E também uma tentativa de igualdade entre os sexos. Vejo a androginia atual como uma progressão da moda e da própria liberdade feminina, que a partir do ingresso da mulher no mercado de trabalho na década de 40, passou a se apropriar de elementos do guarda roupa masculino em busca de igualdade, como por exemplo, o tailleur e a adoção de calças; já nos anos 80 a mulher conquista melhores cargos e novamente masculiniza seu guarda roupa, adicionando largas ombreiras.  Não vejo a atual androginia como busca de masculinidade, mas de igualdade, por diversas razões e uma delas é o fato dessas roupas sempre serem largas, “desacinturadas”, enfim, nada excitantes pois a calça saruel tira o olhar masculino das nossas bundas e da ideia de objeto sexual.

Tailleur, anos 40


 A ideia de dizer que a androginia representa a mesma liberdade que o seminudismo, é esteticamente contraditória, porém ideologicamente igualitária por seu objetivo em comum a liberdade, enquanto o seminudismo representa a libertação sexual, a androginia representa a negação de ser objeto sexual, uso roupas curtas por me sentir bem desejando sexo e  não é pelo vestido que uso que permito ser apalpada, então opto por roupas mais folgadas, é interessante observar  que existe um diálogo subjetivo entre essas duas tendências.




Fonte das imagens: http://pinterest.com/polzza/pins/ (é só clicar nas imagens que a fonte aparecerá)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Mudança


    Tive um momento de super sinceridade com um desconhecido, chamou-me de gostosa e fiz um discurso feminista. No papo ele empatizou e humanizou; não verbalizando se concordava ou não, primeiro se fez de louco e depois justificou: “Acontece que sou baiano”. Eu ri, e fiquei explicando que as mulheres não gostam de serem abordadas dessa forma na rua, que se eu fosse a irmã dele, a filha, a mãe, que ele devia pensar nelas antes de mexer com as mulheres. No fim da conversa ele disse que eu era muito comunicativa e doce e no meio do papo também falou que ele era um “tipo de não se jogar fora” fazendo cena. Não sei que resultado tem uma conversa dessas, cada um de nós é uma grande história, não sei, nem nunca vou saber o que se passa na cabeça e na vida dele, com ou sem êxito fui um grãozinho da mudança que quero para o mundo.
    Que mudança? Respeito, só isso. Não vejo problema em ser desejada, imageticamente sexualizada, desde que meu espaço não seja invadido sem consentimento. Quero poder andar de hot pants (a imagem da foto) se o cara se masturbar pensando nessa imagem é de foro íntimo, mas masturbar-se verbalmente e em público, é agressão sim.
   Ouço coisas muito piores que “gostosa”, muito, muito piores, eu até podia contar do cara de ontem que fez gestos e disse absurdos, mas deixa para lá, o que quis contar foi à boa e leve história de hoje. 



segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Despedida


Sempre estou a me despedir de mim própria para acolher novidades.

A despedida se torna dolorosa quando não consigo transforma-la em soma.
E quando somo, não é estado de adeus nem de boas vindas, o que fica é o que sempre fui, mas não cabia.


E para caber tenho que ser grande. 

Fonte das imagens: http://silhouettemasterpiecetheatre.com/

sábado, 6 de agosto de 2011

Miscelânea

Um apanhado de trechos lidos hoje cedo.

" O direito à história faz parte da agenda democrática. Os povos e as pessoas se constroem narrando suas vidas. É através do reconto interminável  que lhe aconteceu no tempo que povos e pessoas ganham existência" Joel Rufino dos Santos

" O que adianta uma boca grande e um coração pequeno? Nunca diga que faz se não o faz."
"Tenha amigos, se não tem, seja. Eles virão"
 Sérgio Vaz

"Um bom falante é aquele que se adapta aos seus ouvintes" José Luiz Fiorin

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Pessoa. 

Ler Alberto Caeiro ou Fernando Pessoa; nesta minha fase que intitulo de limbo medíocre; sobre o não pensar foi um encontro. Alguns trechos.

"O mundo não se fez para pensarmos nele (pensar é estar doente dos olhos) mas para olharmos para ele e estarmos de acordo."

"Eu não tenho filosofia, tenho sentidos."

"Mas eu nem sempre quero ser feliz. É preciso ser de vez em quando infeliz para se poder ser natural."

" O essencial é saber ver, saber ver sem estar a pensar, saber ver quando se vê e nem pensar quando se vê, nem ver quando se pensa"

"Acho tão natural que não se pense. Que me ponho a rir às vezes, sozinho. Não sei bem de quê, mas é de qualquer cousa. Que tem que ver com haver gente que pensa..."

" Procuro despir-me do que aprendi, procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram, é raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, desencaixotar as minhas emoções verdadeiras, desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro, mas um animal humano que a natureza produziu."

Alberto Caeiro uma das Pessoas de Fernando.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Paralelo

Texto meu, só não quis assinar pq achei que assasinaria o contexto.

sábado, 18 de junho de 2011

A queda



Plumava pelo ar em alta velocidade, meu barato velocittá. Sobre as rodas deslizava, pensava ser de aço.
Então apareceu à vala pedindo para ser desafiada. Voei alto, me senti planando no ar. Acordei do meu milésimo de segundo inconsciente; o corpo havia desligado a máquina de pensar, sobrou o instinto para me dar força física, com as mãos apoiadas no chão como quem faz flexões, meu nariz a um dedo do solo.

Não voeicai.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Não vibro com clichê, nem com a extrema fantasia, gosto do real com um pouco de poesia.

  Leila, 54 anos foi a um programa de televisão contar sua história de amor, com direito a reencontro 30 anos depois do romance.

  No show televisivo,  Leila sentada no sofá da apresentadora loira, contava sua história, enquanto isso o telão mostrava a viagem até a cidade onde o amor da sua vida vivia, tudo acompanhado de muita música popular romântica.
  Quando a TV decide mostrar uma história real, geralmente é para explorar as mazelas ou fantasiar dando o final desejado pelo mainstream. Porém a história de Leila chamou atenção, não por ser diferente de muitas histórias, mas por sua simplicidade e realidade, simples demais para TV, real demais para os padrões.

  Aos 24 anos conheceu Sergio,  motorista de caminhão, ela casada, mãe de quatro filhos. Sem pudor, Leila contou que adorava ir ao motel com o amante e quando se viam soltavam faísca. O romance durou um ano, na época ele dizia que assumiria seus filhos, mas ela achou melhor continuar com o marido, teve medo de se separar, pensou nos filhos, achou que seria melhor se crescessem com o pai. Desistiu desse amor, mas nunca o esqueceu, disse pensar nele todos os dias e que o amor não havia acabado. Com muita calma, contou que o marido sabia do amante e a perdoou, tudo muito comum, mas pouco contado na ficção popular, cinema, novelas.

  Na TV uma história real, simples, de amor, sexo e traição contada com essa naturalidade, sem o enfeite da ficção e sem repressão. A apresentadora não fez perguntas tendenciosas nem Dona Leila parecia culpada. Chegou a dizer que na época se sentia mal, mas atualmente pensava o seguinte, que sua mãe havia imposto muitos moralismos e de tanto moralismo deixou de viver, que moralismo só atrapalha a vida. Simples, lúcida.
  Enquanto assistia, pensava; isso não deve estar dando a menor audiência, muito comum e ao mesmo tempo um tema pouco explorado dessa maneira: “Olha essa é a vida, pessoas traem, perdoam, o mundo não acaba por isso.” A história foi contada como documentário, muita música, imagem de estrada, da vida de Leila, refinado demais para quem gosta do padrão e popular demais para elite.  Nem um pouco clichê. Não era como a realidade do cinema Europeu, real e refinado, nem popular e tendencioso como programa do Ratinho, Gimenez, Fantástico que ao contar histórias reais sempre frisam o preto e branco, o certo e o errado.

  Vibrei com toda aquela realidade, sem enfeite, sem alienação, sem julgamento.

  O desfecho da história? Tão comum quanto seu desenrolar, ao se encontrar com Sergio, este repetiu cinco vezes durante a conversa que não se lembrava de Leila, que não lembrava nada do passado e nem queria lembrar, quando ela disse que não tinha ido lá com esperanças de romance ele disse “ainda bem!” e com gosto. Ela chorou um pouco, mas aceitou a rejeição.  No palco, a apresentadora loira a confortou e deu um beijo em cada um dos olhos. O programa? Hebe.

  Costumo dizer “amor não acaba” a história da Leila põe um adendo na frase; nunca disse que amor tem que ser correspondido para nunca acabar, só disse que nunca acaba, mesmo que seja para um só. 

terça-feira, 19 de abril de 2011

Amizade

O que prova uma amizade? A saudade com ausência de ansiedade.

A firmeza de que esta não se solta é tão certa que nunca se afirma.

Em teoria nada disso se prova.

Só em silêncio e poesia.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Engano


Resolvi ser um pouco da sociedade, essa coisa de autenticidade é o maior dos autoenganos. Aniquiladora de fantasias, fadada de comodismo. Tão esperta por rir da própria mentira, de mãos com a ironia, gargalhei com o sarcasmo.

 Até chorar.

Senti falta da mentira, quis recuperar meus autoenganos. Por que nem todo dia tem cores que só meus olhos podem imaginar. É na mentira que me alegro.

É preciso um pouco de fantasia para sorrir o necessário.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Rocha metamórfica

A epifania:

De repente depois do agito paro. 
Transformo-me em música, sou o som metamórfico para poesia, 
Carrego minhas tintas e tudo tem cor, a voz sai bonita 
Converso simpática, como quem eu mesma nunca me vi. 
E depois mudo para pedra, parada, com musgo, gelada, na corredeira da serra. 
Essa não faz nada, só pode ser pedra, quieta, não dança, não treme nem geme. 
E de ser pedra entendo, do mesmo modo que sei ser gente, por que posso ser todas essas coisas. Até gato, quando brinco com o gato. 
E todas escrevem aqui, como múltiplas de mim. 
Sem razão alguma. Como tinta que se joga no papel e forma que não sabe o que quer ser e vira rosto de menina. 

O diagnóstico: 

Já sei a doença que tenho, eu mesma diagnostiquei, são problemas de vazão, como o sangue que entope a veia; minha criatividade se não é usada, fica presa entupindo meu ser, aí viro pedra, por que não dá para ser melhor que pedra, só pedra serve. 
A pedra observa e só ecoa o outro, pedra não tem ego, só experimenta, só quer ser espelho do outro. Eu deixo, deixo você se exibir, não é por medo nem por a falta da estima, mas por experimento, para te conhecer, tem jeito melhor de te conhecer do que colocar um espelho? Quem paga para ver, não pede o dinheiro de volta. E não reclamo, se for merda o que você tiver, atira, eu assisto! Se for beleza, a gente junta as nossas em retalho. Não tem jeito mais estranho e cristalino de conhecer as pessoas, idiossincrasia, coisa minha. 
Aí me chamam de pedra. E vocês que usam essas caixas na cabeça com dois pequenos buracos que os olhos mal que vêem? Todos iguais, ressentidos, enrustidos, cheios de desconfiança. Mas que desconfiança! Eu confio, confio no seu lado merda, eu desmistifico, eu entendi que você é assim por seus traumas, e vejo como era quando riam de você na escola, não, essa não sou eu, é você, sou eu, em você. Sabe? Mas aí desse mundo todo, você jogou fora sua empatia. Mas eu fiquei com a minha, com vontade de te afagar. Um abraço serve?

domingo, 3 de abril de 2011

Careta

Essa sou eu, devolvendo caretas bem feias para a careta que o mundo me deu

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mude de aporrinhações


Sugiro que você mude. Mude de país, de casa, de emprego, a aparência e a profissão, termine o namoro, troque o guarda-roupa, as ideologias, a religião.
“Mude minha filha e que seja por novas aporrinhações” disse minha sábia mãe hoje de manhã. “A vida sempre pede recomeços e reinvenções.”
Mudo por prazer ou por evolução.
Quando mudo, não só as coisas boas se transformam, as encrencas variam junto, tão novas quanto às alegrias e também devem ser bem-vindas.
Mudo para ter o fácil, mas o difícil caminha junto, quando não rouba todo o espaço.
Vou inovar, a partir de agora não mudo mais de vida. Mudo de aporrinhações.
E de todo esse avesso, não vai ser só o bom que vai virar ruim.
Desejo novos problemas, retiro a expectativa do prazer.
Se o porre era sempre o brinde, agora virá trocado.


Que a mudança me venha inteira, cheia de aporrinhações


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Status é uma prisão da mesma forma que são as regras de moda.

Moda é status, se o solado do seu sapato é vermelho, representa que tem dinheiro para um Laboutin que custa em média US$ 3.000; se for preto pode ser de qualquer outra marca.  Existe beleza, tradição, sonho, fantasia e qualidade atrás da marcas, são os argumentos de grifes e clientes. O que possuem em comum o solado preto da marca MadeinChina e o solado vermelho Laboutin? São sapatos e possuem a mesma função. 

Já andei diversas vezes na Oscar Freire; para quem não é de São Paulo, é uma das ruas mais chiques e grifadas da cidade. Largada: de mochila, cara lavada, cabelo preso e havaianas no pé e  fina: montada na produção, maquiagem e acessórios.

O caminho habitual, no tempo que trabalhei lá era: começo da Oscar Freire quando cruza com a Rebouças, até a Lorena, então eu virava e subia a Av. Paulista até o metrô. (é gosto de andar).

Nos meus dias comuns, vestida displicentemente, os donos da grana; identificáveis por sua vestimenta; eram indiferentes a mim, não me olhavam nos olhos. Sem meus apetrechos da tribo, não existia, era desinteressante. Já bem vestida e aprumada era olhada nos olhos.

Porém os manobristas, seguranças e motoboys dos restaurantes, sempre me viam , independente da produção de moda. Eu não deixava de existir por estar menos ou mais arrumada. A única diferença é que quando estava mais emperequetada eles olhavam sem conversar ou paquerar e quando eu estava displicente me diziam oi, boa noite, etc.

No post: moda de rua, reflexão sobre um comportamento, comparei mulheres que tem muita informação de moda com as que desconhecem qualquer cartilha. Minha conclusão foi que quem lê revistas da área fica presa a certos tipos de roupa por medo de errar, enquanto as desinformadas do assunto ousam ao exibir o corpo, sem vergonha, sem pudor, o que as tornam muito mais livres do que quem possui informação,  geralmente as “bem informadas” são de classes sociais privilegiadas financeiramente, enquanto as “desinformadas” são mais pobres.

No caso do olhar masculino sobre a mulher que usa ou não os adereços de determinado grupo, percebo que os que dão importância aos significados do vestir, novamente perdem, assim como as mulheres informadas sobre moda. Perdem por não enxergarem outros seres humanos, por precisarem de elementos visuais para empatizar. Enquanto os homens de classe social menos favorecida, sempre enxergam a mulher, vestida como uma árvore de natal ou simples com suas havaianas.

Você tem laços?

Você tem laços? 
Família, laço que começa no umbigo.
Que pode ser cortado ou mantido.
Amigos, laços construídos em espelhos que lembram umbigos. 
De apertar e afrouxar.
Bem vindos são os longos silêncios
E invasões de elogios 
Complementos
Meus pedaços feitos de laços. 
Se o nó pensa que é laço, deixa que desfaço.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Reflexão sobre a moda

“Como é importante estar na moda. A primeira vista, parece uma forma de diferenciação pessoal. Mas, de fato, não o é. Aqueles que andam na moda nada mais são do que adestrados no preparo de coquetéis identitários com todos os ingredientes recomendados. Ingredientes recomendados são aqueles reconhecidos pela massa fashion sem muito esforço e, portanto, em sua essência, sem diferenciação. Estar na moda é não causar estranheza ao grupo. É maior garantia de ser aceito pelo gueto. Seria a moda um ritual de aceitação ao bando?”

Por: Pierre Poisson Puant  / Twitter: @PierrePuant

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Mãos


Tenho uma tradição estranha, para medir o quanto conheço alguém penso se lembro ou não de suas mãos, quanto mais detalhes recordo, mais conheço a pessoa. Por que apesar de gostar de mãos, não é uma coisa que reparo tanto, talvez um pouco mais que a maioria, mas é difícil guardar a aparência da mão de um estranho ou de uma amizade de apenas um ano; por mais querida que seja a pessoa.


Mãos mais do que rostos, são minha referência por que rostos são óbvios a gente sempre olha para o rosto, frente a frente em detalhes, agora as mãos são discretas não pedem atenção para si, só se nota a mão de alguém com tempo e intimidade.

Algumas lembro detalhadamente,  dedos,  formato de unha, se é com ou sem cutícula, roída ou não,  a textura, o tamanho da palma, as veias, cicatrizes e até as pintas; a intensidade das lembranças é de acordo com o grau de proximidade.

Mãos também são a lembrança de duas pessoas muito queridas, meu pai e minha mãe, meus dedos e formato de unha são muito parecidos com os de minha mãe e a palma larga me lembra meu pai, penso que quando eles se forem terei sempre esse pedaço para observar, em minhas próprias mãos

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Com e pré conceito.

  Culturalmente, existem pré conceitos, como por exemplo, “A solidão é terrível e avassaladora”, “A felicidade só pode ser construída a dois”, “Homens não usam saias” ou até “ Você tem que ser feliz". Esses são alguns que ouvimos e conhecemos, além de milhões de outros. Conceito é uma idéia a respeito de algo.

Seguimos padrões, somos miméticos, copiamos nossos pais e depois os colegas da escola, assim por diante; todos estes nos passam conceitos, idéias a respeito do mundo. Como por exemplo, “O bom da vida é ter um tênis de R$ 600,00 da Nike” essa idéia pode estar presente em uma escola de classe média.

Todos temos pré conceitos, o mesmo que preconceito; sobre o que esse texto trata: o julgamento de uma situação a partir das MINHAS idéias, que em maioria não são MINHAS exatamente por não terem sido desenvolvidas por mim e sim por minha cultura, algumas boas e outras que devem ser questionadas. Ter preconceitos não é negativo, é inerente ao humano,  improdutiva é toda ação baseada em um conceito que contenha o ato de desrespeito e violência,  prejudicial ao progresso intelectual da sociedade.

Por exemplo, você acredita que seu namorado não pode usar saia, isso não é um desrespeito, mas uma preferência. Preferência criada a partir do conceito, homens não usam saias e você não mora na Escócia, isto também é preconceito, surgido através dessa preferência-conceito.

Cada cultura tem conceitos diferentes, ao interpretar uma frase, um texto, questione que conceitos o autor utilizou, o mundo não é um quadrado pequeno onde todos pensam iguais.

 E por que as pessoas não saem do quadradinho? Por que é desconfortável ser diferente, é mais fácil ser igual, já somos seres tão inseguros por não sabermos nosso destino após a morte, ser igual é muito confortável.  Não sou avessa a se apegar a valores culturais, eu mesma tenho os meus, é cômodo, entendo quem precisa destes, são muletas a nossa falta de coragem de sermos livres.  O que incomoda é o desrespeito a quem é livre, por exemplo, a homossexualidade perturba muito a sociedade, por questionar em forma de ação nossos conceitos,  não haveria nenhum motivo de incomodo se os valores fossem VERDADES ABSOLUTAS,  mas não são e por isso tanta gente intolera homossexuais, estes provam que não existe nenhuma verdade que não possa ser transgredida.

"O homem civilizado trocou a parcela de suas possibilidades de felicidade por uma parcela de segurança" - Freud

Outro exemplo de conceito, tenho um bem pessoal  sobre a solitude, posso defini-la em uma frase: "Estou só, me sinto só a maior parte do tempo". Essa pode ser interpretada como "Ih, o marido a largou" ou então "Tá sem amigos! Coitada!". O conceito utilizado por mim nessa frase não tem nada a ver com essas interpretações simplórias, me sinto só, por que quem decide a respeito da minha vida sou eu! Desde os sapatos que vou calçar, se escolho trabalhar para uma empresa, se xingo ou não o cara que me empurrou no metrô; se bebo ou se fumo,  se pago ou não a conta de luz,  meus amigos não podem decidir isso por mim, nem minha família, nem meu marido; estou só e estar só neste conceito é ser responsável por mim, assumir-me e perceber-me.

Exato!  - "...as cortinas transparentes não revelam o que é solitude, o que é solidão...
Lobão. 

Não é necessário entender o conceito do outro, não espero isso de ninguém, seria muita presunção imaginar que todos vão ler minhas frases e entender o contexto em que me baseie,  o importante é  ter  percepção da variedade de conceitos, saber que o outro pode ter uma  visão de mundo diferente da sua, um contexto fora do seu,  isso já é um grande caminho para evitar conflitos e para crescer intelectualmente, questionando, tentando entender uma poesia de Fernando Pessoa, se aprofundando nas frases dos autores que citei aqui, por exemplo. Ter consciência que cada um tem uma visão,  dar a oportunidade da dúvida.  Isso é respeito.

Cortante! - “Humildade é o que acontece quando você se contextualiza.” Rodrigo Rocha Braga.

O que é verde-água para mim, pode ser azul para você. Enxergar o outro com os seus conceitos não é  VER o outro... 

O grande final:

"Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro, e não ver o seu mundo refletido nos olhos dele". Carl Rogers.

Se você gostou desse texto vai se encontrar nesse: http://papodehomem.com.br/o-habito-de-julgar-e-rotular-pessoas-pode-matar/ Perfeito!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Longe do Paraíso.

Longe do Paraíso.
2002

Julianne Moore magistral, a película consegue reunir excelente fotografia, ótimas atuações e temas fortes, preconceito racial e sexual.

O filme se passa em um cenário típico de outono, folhagens  avermelhadas, alaranjadas e o verde das copas;  muito interessante a sincronia entre fotografia e figurino, os tons da paisagem se repetem nos vestidos das personagens, camadas de ton sur tons, no clima anos 50, um show de moda, linda cartela de cores. A personagem principal usa azul apenas uma vez no filme, a maioria das cenas ela está em composé com a estação outonal, tudo muito pensado e agradável.

Não tem como não relacionar “Longe do Paraíso” com o ótimo “Pelo direito de amar” também com Julianne Moore,  o primeiro se passa na década de 50, enquanto o segundo na década de 60  como características em comum, o colorido da moda e outro paralelo, ambos tocam no tema homossexualidade masculina, focalizando a repressão vivida nesses tempos.

Para entender o mundo é preciso conhecimento histórico e estes são ótimos retratos de uma sociedade hipócrita que não aceita a diferença.

O que me faz refletir, as mudanças existem, mas como são lentas, 60 anos passados e o preconceito contra as minorias sempre explode na mídia , ou mesmo em uma conversa de bar com o tom não muito diferente do tempo passado.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Critica a razão construída através do conhecimento.

Título pomposo este, não? Mas apesar disto não se influencie, este não prova que sei das coisas. Aliás, eu mesma o questiono; por ser incerto é uma afronta.

Tolo aquele que acredita que tudo o que adquiriu lendo é a verdade e esta é sua. Prefiro verdades inventadas baseadas no meu restrito mundo a comprar verdades que não foram racionalizadas por mim. Gosto de quem inventa teorias pessoais, baseadas em observações únicas, gente que como eu vive o presente.

Sim, você pode ler um livro e a partir deste criar, mas se não houver esse momento entre a leitura e absorção, você apenas tem boa memória. Os melhores pensamentos são construídos por perguntas, afinal você acredita mesmo que existe uma verdade só?
A verdade não existe, por ser construída através de projeções pessoais e estas serem diversas e únicas, por que se preocupar tanto com esta? Por que não posso inventar as minhas?

Então o sujeito lê isto tudo e diz “ Está tudo errado, pois Nietzsche que...” Nietzsche disse e você? O que você acredita? O que você construiu sozinho?

11/10/2010

A madeira do armário está fria, a sinto daqui, também percebo o espaço exato do meu quarto e as quinas dos quatro cantos que o compõe, respiro e toda essa percepção externa reflete dentro de mim, sinto o cheiro da madeira e meus ouvidos mais aguçados ouvem a rua, os dias de feriado são assim, muita gente saiu da cidade e quem ficou acalmou a mente.

Posso sentir tudo, meu cérebro não se prende mais a certos assuntos e isso me traz aos espaços reais, estava presa a abstrações de realidade, simplificando: problemas; não os resolvi, mas pelo menos hoje com todo o ócio desapeguei sem pretensão de abraçá-los tão cedo.

Notei o mundo;  de todos os elementos inanimados da casa os mais vivos são as madeiras, posso senti-las sem toca-las, posso imaginar também como é sentir o concreto, as paredes não contam tantas histórias como essas madeiras. O está céu nublado cinza com um toque de azul cobalto, lembrei do mar.

11/10/2010 – Um dia inanimado, cinza, frio e com uma característica peculiar, silencioso.

Estou tão gelada quanto o dia, o calor do corpo nunca consegue aquecer minhas mãos de dedos longos. Psiquicamente completa, seja lá o que isso quer dizer.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O otimista vê perspectivas e não defeitos.

Em uma parceria entre Devaneio e Big Bag of Dreams
 
 Otimismo Devaneio

Egos inflados se tornam poesia.

Angustia é cor na tela de Van Gogh.

Culpa cúmplice do bom senso.

Raiva impulsiona a sair do lugar comum.

Desleixo vira desapego.

Tristeza é complementar a alegria. Simbiose.

Sofrimento é aprendizado.

Solidão é pensar diferente.





Otimismo Big Bag of Dreams 

O que bagunça, arruma.

Problemas são mapas do tesouro, basta querer brincar.

Despero é o intervalo de tempo entre você achar que perdeu o chão e você ver que já tem asas.

Preocupação é estar no mesmo degrau do problema, subindo mais alguns tudo se resolve.

Insegurança é só uma amnésia temporária.

O silêncio não é apertado, você cabe inteiro dentro dele, sem deixar de fora nenhuma parte.

A alegria e a tristeza estão no mesmo caleidoscópio.

Não existe mau humor, você que está ouvindo a música errada.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Esmero

Dona Esmera


Tô qui num quero,  tô qui num caibo sei que é esmero mas este num largo.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Narrações

Gostaria de associar junto dos posts gravações do Gengibre, porém, nem por lá nem por cá facilitam minha vida para ter essa associação.

Para os curiosos, é só acessar o link:  http://www.gengibre.com.br/polZZA

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sorte no amor.


No início acreditava que tinha muita sorte, havia encontrado em alguém todas suas expectativas. Quando comentavam “Como vocês são perfeitos!” dizia que havia caído no acaso e encontrado o que esperava em alguém. Sorte, apenas isto.

Não posso dizer que não foi sorte, pois foi, mas dizer que suas idealizações haviam se tornado reais é um pensamento falho. Na verdade não se apaixonou pelas expectativas, mas pelo outro, sim, a pessoa ideal; aí entrou sua sorte.

A paixão a mil confunde, funde o que é real e fantasia, sem percepção vivia um sonho. Sonhos são diferentes do real, nestes colocamos os desejos, implícitos pela sociedade e também os pessoais; príncipe do cavalo branco que vai me salvar, pessoais: desejo de um homem forte ou de um homem sensível.

Dez anos juntos não há mais confusão de expectativas, um dia existiram, mesmo em um amor real existem, mas já se foram, não é a paixão que vai embora, são as expectativas. O que sobra? O outro inteiro, sem você, sozinho, isto com certeza é sua melhor parte: o indivíduo.

Dez anos, ainda sente os detalhes que de longe lhe tocavam a pele, ainda tocam. O que mudou foi à pessoa, de um devaneio virou ser humano, coisa mais linda gostar de gente e não de sonhos.

Ilustração: Paola Perazza

domingo, 5 de setembro de 2010

Mais do mesmo.

Um pouco de tudo que já foi dito pelos quatro cantos...

Desejo não se cria, mas pode ser transferido, com prazer.
Desejo é seu não do outro, você o realiza da forma prática, seja colocando toda essa força em um texto, um desenho, uma dança, se acariciando ou em alguém; não necessariamente aquele que lhe causou desejo. Não é da terra, nem do homem, nem de Deus.

Desejo é sempre transformado, transportado, sempre que preciso aliviado.

Quando preso deixa de ser, vira larva, bicho ruim que come a carne, quando assim não é desejo, é masoquismo com o corpo com a mente, mentira.

Condicionamento louco este de desejar o que não é nosso, o desejo do outro.

Se isto é impossível o que se pode ter? O indefinível que é o amor, o definível que é o prazer.

L´Enfant Terrible 

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Em defesa da preguiça


 Idéias, idéias ,idéias passeiam por minha cabeça de uma idéia ramificam vinte outras novas, criam raízes em grandes labirintos. É bom que eu tenha mais e mais, o empecilho é dar conta de todas. As idéias são o matrimônio que a sociedade aceita por serem financeiramente rentáveis.

Em outra margem, reservada, cultuo outra paixão necessária, a preguiça improdutiva. O ócio do corpo e da mente. A vagabundagem do espírito.

Minha paixão social, todos já sabem, a produção: sou a que trabalha, desenha, cria, escreve, corre atrás. Mas a preguiça, a deliciosa preguiça, quando declarada como paixão tem sempre alguém para dizer “Mas por que você não produz?Por que está aí sem fazer nada?”  respondo “ Não, não quero; quero ficar mais um bucadinho assim olhando pro nada, coçando e roçando, amando como Macunaíma” . Ninguém nos estimula para o nada, ninguém entende o amor pela preguiça.

Recentemente li um artigo afirmando que preguiça é doença. De acordo com o texto, doenças como obesidade, doenças do coração e diabetes são causadas pela preguiça. Se o portador da doença fosse menos preguiçoso não morreria ou nem chegaria a sofrer do mal,  é preciso tratamento para isto.

Levem-me ao doutor, pois estou sofrendo de um mal terrível, sou preguiçosa!

Brincadeiras a parte, todo excesso é prejudicial, dizem que até excesso de água.

Por outro lado,  tenho um pouco de medo de gente que não respeita o ócio, medo dessa gente que não se deixa flutuar sabe?  De nada adianta ter mil idéias com a cabeça tão suja que não cabem mais e nem se desenvolvem. Digamos que o ócio é a logística das idéias, natural, sem esforço, as põe para ninar, as coloca em caixinhas que se transformam em soluções. Quando dizem tempo é dinheiro penso “O que adiantam idéias sem soluções? Rapidez sem eficiência?” Por que não aproveitar algo tão útil e natural quanto o ócio e o lazer?

Eu trabalho com imagens por exemplo e em uma semana sozinha, longe das obrigações, vejo melhor as coisas, no sentido literal. Ficam mais claras as cores, as texturas,  o mundo fica mais nítido.

Nosso cérebro é como uma fabriqueta, você tem uma grande idéia e não adianta, tem que parar e a deixar lá dentro, maturando, fermentando como um vinho em seu tonel. E assim ficam robustas, complexas, coloridas e ricas. A partir disso você descobre que sua idéia quadrada pode se transformar em azul ou que sua idéia losango pode se transformar em penugem de ganso.

Esse tonel em que colocamos as idéias é o ócio. Magnífico! Um viva ao ócio!

sábado, 7 de agosto de 2010

Amor genérico



Eu me apaixono, me apaixono por você todos os dias. Me apaixono pelo modo que encara a vida. Pelo jeito que resolve os problemas ou como não se preocupa com eles.
Me apaixono pela sua história ou como a transforma em estória. Me apaixono pelo seu conhecimento ou como se interessa por isso

Eu me apaixono por você, por vocês. O sentimento é um só, vale para todos. Amor pra mim é uma coisa só, sem subdivisão, sem diferença;  pode ser com ou sem sexo, com ou sem nexo; correspondido ou não, eu amo!

Não sei se sou muito fácil, mas me encanto facilmente.

São muitas paixões, paixões diárias. São lembranças. Paixões antigas ou recentes
Me apaixono até por uma pessoa que acabei de conhecer. Envolvo-me , acredito, admiro.

Amo.

A verdade é que não me apaixono tão facilmente, infelizmente isso acontece menos do que eu gostaria. Por que é tão difícil encontrar alguém como você. Mas quando encontro, admiro, fico boba prestando atenção em seus detalhes.

Dá pra encher as duas mãos com minhas paixões. E sempre cabem mais. O tempo não importa, podem durar só um dia, um texto, um filme ou um livro. Posso até nunca conhecer o alvo da minha admiração. Este pode nem saber que existo, como Quentin Tarantino. Ou já ter morrido como Dostoievski.

São casos de amor, paixão pura, admiração sincera. Simples como esse texto.
Intensos. E sou grata por te amar!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Nada


Essa idiossincrasia não é nada que conheço, nada que você conhece. Queria ter visto isso em um filme, lido em um livro.



Gostaria de ter uma palavra para caracterizar, um sentimento para rotular, uma imagem que definisse, alguém que traduzisse.

Existe e não tenho como provar se é real, sentimento ou se é material.
Pode ser tudo, mas nomeio de nada.

A verdade é que sempre existiu, mas de tão complexo e completo sempre foi o nada. 

Esse nada sempre esteve aqui e lá, comigo e com você.
Não é bom nem ruim, não tem haver com virtude.
Tem haver com a gente, é nosso, mas é muito meu. 

Eu sinto nada. Eu sinto o nada. Eu sou o nada. Eu sou nada.

TUDO.



segunda-feira, 26 de julho de 2010

Gislaine e Maria

Vou contar o que sei da história de Gislane e Maria, eram melhores amigas, as duas tinham 7 anos de empresa, saiam juntas, dormiam uma na casa da outra, iam pra balada, trocavam confidências.

Havia uma funcionária antes de você chamada Clarissa, que estava tendo uns problemas no RH, queria, mas não conseguia registrar seu cartão de ponto, o RH sempre enrolava a funcionária, deixando para depois. E por isso Clarissa não recebia suas horas extras.

Gislane sabia do problema de Clarissa e por não gostar da menina, ria dela, tirava sarro pros outros. A fofoca do momento! No café só se falava disso, Gislaine dizia “ Você viu que a tonta lá não consegue nem liberar o cartão do ponto? É muito burra não é?” E assim sociabilizava, fazia amizades, tinha assunto. Todo mundo ia a sua sala para saber como que estava à história do cartão do ponto, da pata, como haviam apelidado a vítima.

Maria era ética e gostava da estagiária, não se envolveu no burburinho e nem recriminou a melhor amiga por toda aquela fofoca, não quis se meter. Gislaine achava estranha a indiferença. Quando ia pra copa fazer suas fofocas percebia que Maria ficava quieta e dava uma desculpa pra sair de fininho. Ficou incomodada com seu silêncio, um dia então resolveu perguntar diretamente para Maria o que ela achava de tudo aquilo; da pata atrapalhada; já iniciou a pergunta tirando sarro da tonta e rindo! Maria pensou, pensou, cautelosa disse sua opinião, de forma clara, voz calma, disse que achava que Clarissa estava certa e o RH errado e que tinha até ligado para a responsável para ajudar a menina, já que tinha mais tempo de empresa e influência.

Gislaine ficou incomodada disse “Então você vai defender ela? E não ficar do nosso lado?”. “Nosso” como se Maria tivesse que pensar como ela só por serem amigas, Maria disse que o RH estava sendo injusto, Clarissa não ganhava hora extra enquanto todos ganhavam e não concordava com isto.

Com o tempo Gislaine se afastou friamente de Maria e desde então não são mais amigas, tudo mudou, não se dão mais carona, não saem depois do trabalho, não dormem mais uma na casa da outra.

E eu, o que acho mesmo de tudo isso? Que Gislaine terminou a amizade não pelo fato da amiga não ter ficado do lado dela, não foi pelo silêncio de Maria e nem por ela ter ajudado Clarissa.

Gislaine se incomodou com a verdade, se incomodou com ela mesma, Maria ao ser ética e imparcial mostrou sutilmente a amiga que a maldade pela maldade não tinha senso, que ajudar Clarissa ao invés de rir tinha mais sentido. Fez Gislaine se confrontar com seus monstros e isso que doeu, olhar para dentro e perceber que estava errada. Não dessa forma racional que descrevi, pois se Gislaine percebesse isso racionalmente nunca teria começado as fofocas, em sua balança de interesses era melhor ter assunto com os colegas e ser sempre procurada por todos do que perceber o outro. Pensando sobre o caso em casa encontrava mil motivos para achar Clarissa uma pata, justificativas não faltavam em sua cabeça, pensou muito, não dormiu naquela noite, obsessiva precisava justificar para si o que tinha feito, precisava, pois no fundo sabia que estava errada.

E hoje Maria já esqueceu Gislaine não confia mais e depois de tanto tempo um ano passado, Gislaine sente falta da amiga e agrada sempre que pode.

Se Gislaine sente culpa por ter falado mal de Clarissa eu não sei, se percebeu que fez isto como escolha errada também não. Mas que sente falta da amiga sente, acredita que não precisava ter sido tão dura em um momento de discórdia.

Ética na visão do inconsciente.


Em uma vila na Europa, viviam os Lepattore, Pai, mãe, e filhos, muitos filhos, a casa era uma construção antiga de pedras, chão, paredes, móveis, tudo velho.
Estavam todos escondidos no sótão, Yolanda matrona, abraçava os filhos temendo pelo pior. Chukibits estavam na cidade, em plena inquisão alienígena.
Entre as possibilidades, se entregar ao inimigo ou um tipo de acordo com corruptos que prometiam liberdade fácil. Os pais escolheram pelos filhos, no medo, na sombra, no terror, no desespero e se corromperam. O acordo era o seguinte; por um certo valor os corruptos diriam um caminho de fuga, entregariam os equipamentos e fariam escolta. A família estaria suja! Mas salva!
Não posso falar por minha família, eu não estava mais os vendo. Tinham nos divido em duplas, Era só eu e minha irmã mais nova Isabella. Não sabia que havia um acordo, que tinham regras, a mãe e o pai nos disseram que um amigo deles ia nos ajudar, não mencionaram corrupção, era só passar por um túnel e tudo ficaria bem. Mas não foi bem assim, chegando no escuro, vimos Chukibits e eu logo entendi o que estava acontecendo, eles eram os corruptos que nos salvariam.
Vestimos as roupas de mergulho, câmeras de ar e água atrás de portas de aço, em paredes de vidro, pelas portas uma a uma, água e ar não tinham começo nem fim, ora se respirava ar e ora não era possível respirar, passávamos pelos dois elementos de modo que não sentíamos a densidade da água, tinha a mesma leveza do ar. Quando chegamos na última os Chukibits se foram, dizendo que aquela era a porta da liberdade.
Acionei um botão e se abriu. Mentira! Mentiram!
A verdade era; se quiséssemos sobreviver teríamos que passar por provações. Fiquei todo o tempo de mãos dadas com a irmã, usamos para a travessia capas marrons com capuzes tão grandes, que só nos permitia visão linear. O lugar não era nesse mundo, tinha um caminho de terra e tudo em volta era nada, tudo era marrom, ocre, laranja sujo e vermelho amarronzado cores do sol, da lava e da terra. Não tinha horizonte, era uma paisagem sem linhas, só cores e o caminho, o que predominava era escuridão. Dois encapuzados passavam ao nosso lado, um pouco distante de nós, o de capa branca e o de capa preta. Neste momento árvores baixas com textura de papel crepom formaram um pequeno bosque. Olhar para o rosto do monge de capa preta significava sucumbir e olhar para o capa branca este poderia te dar uma pista da saída. Mas eles andavam quase em paralelo, quando o capa preta aumentava o passo o outro diminuía e alternavam assim. O risco de olhar para a pista errada era muito grande.
Vi um de seus olhos, era grande duas vezes maior que o olho humano, cor verde amarelado, sua pele era cor de pus. Vi seu olho por só um segundo, não vi o rosto, deu tempo de me virar, mas já havia cometido o erro! Minha irmã também o vira. E esta era a primeira provação. A pergunta era simples, tínhamos que escolher entre duas palavras,escritas em um papel EACH ou NECK. Optei por each e minha irmã escolheu neck. Depois de ouvir nossa resposta, ele ficou na frente da irmã, eu não via seus rostos por conta do capuz, mas ouvi a conversa. “Sua estúpida, sua mãe está sem comer a 7 dias e você escolhe que ela tenha roupas ao invés de alimento!”. E tivemos essa visão, de nossa mãe maltrapilha como uma mendiga suja, vestida com trapos pedindo comida aos transeuntes.
Minha irmã havia sido reprovada, pois neck representava colarinho remetendo a roupa e each tem o mesmo som de eat, que é comer em inglês.
Depois, não vimos mais o capa branca, só passavam capas pretas, e minha irmã olhou mais uma vez para o rosto de outro Junyz
Mudou a paisagem, agora teríamos que passar por uma ponte, feita de madeira com cordas como corrimão e um rio de lava abaixo, e esse momento foi muito importante para mim, me sentia forte, protegida, falava coisas bonitas para irmã, para ela não cair mais nas tentações, que devia se inspirar nos justos e nos bons, em Jesus, Buda, Gandhi, eu estava serena, sem medo, forte, uma força que nunca tinha sentido. Sabia que os Chukibits não podiam me fazer mal, que eu era maior que eles.
Mas mesmo tentando inspirar minha Irmã ela ainda olhou para outro Junyz. Ao todo foram 3 e ela foi reprovada em todas as provações.
Bom, chegamos no final do caminho, estávamos novamente com a roupa de mergulho, encontramos os Chukibits, eles disseram que poderíamos voltar a superfície, estávamos salvas! Encontrei meu irmão, e nós três fizemos a travessia, chegando lá, descobrimos que havíamos sido enganados, o final da travessia era o alto mar, sozinhos, sem barco sem nada no meio do alto mar, entregues para a morte. Foi quando tive a última e esclarecedora visão, a foto do pai na revista Forbes, como o homem mais bem sucedido do ano. Foi o único da família que se salvou. As provações eram um teste para saber quem não servia para os Chukibits, quem não servia para o mundo de corrupção e maldades. Nós não servíamos.
Apesar de estar comigo em alto mar do mesmo modo que a mãe tinha virado uma mendiga, a irmã virou uma gata. E a gata é boa, tem uma luz cor lilás com um plasma branco em volta.


domingo, 25 de julho de 2010

Ciclo de Paola

Aviso: Esse texto contém brutalidade e imposição em uma tentativa de comunicação com os que dormem.

Cacete! Quem sou eu? É muita coisa! Tem coisas que escrevi e nem sei de onde veio quem era aquela? Preciso encontrá-la.
Repito-me, são backwards intensos.
Busco-me, encontro. Compartilho me perco. Volto à introspecção, compartilho novamente. Repito-me, retorno, ouço novamente, corrijo, esqueço. Erro, pergunto. Respondo, fico sem resposta, questiono até a pele sair. É como uma coceira!
Mudo de idéia sem vergonha. Sou um rascunho, mas nunca uma conclusão. Conclusões são imposições sobre as idéias. Sobre as minhas idéias pelo menos.
O que mais há a ser descoberto?
Narcisista que sou de tanto me conhecer. Isso incomoda o outro sem nenhum rascunho de resposta para a pergunta “quem sou eu?”.
Mas não me basto nunca! Nunca! Quem não se conhece pensa que o ser profundo se sente auto suficiente, é um arrogante que não precisa dos outros, este, sente inveja de sua introspecção, quem busca auto conhecimento sabe que precisa muito do coletivo para somar e que só depois de se encontrar é possível ser pleno em sociedade.
Não se pode confundir auto suficiência com se sentir bem consigo mesmo. (Ironia redundante e contraditória do jeito que gosto!)
Se amar na solidão, se entender no silêncio faz um indivíduo melhor para o mundo e não um egocêntrico a mais. “Estou sozinho”, isso pode ser a melhor coisa do mundo!
Existem ironias como esta, a vida é cheia de contradições e ironias, as pessoas mais interessantes são justamente as que pegam esse espírito da ironia e se mantém fiéis com seus contrapontos se tornam assim surpreendentes, inesperadas, irresistíveis!
Somos todos miméticos, começamos a vida sem identidade e então nas primeiras décadas (ou até as últimas, dependendo do nível de profundidade) repetimos padrões dos nossos exemplos, figura paterna, materna, se você não se buscar vai sempre ser uma cópia da cópia. Pastiche mal acabado. Sem nem perceber que só está namorando aquele carinha que denigre e abusa moralmente das mulheres pois seu pai é assim. Sem se tocar que quando precisa se impor, perde o prumo, como sua mãe faz. Condicionamentos psicológicos que podem transformar um ser humano em uma ameba que se reproduz para criar mais seres tão sem sentido quanto ele próprio.
Você realmente quer ser alguém? Então seja você mesmo se ame se adore, sem nenhuma idolatria boba, mas sim se conhecendo! A maioria de nós tem algo incrível dentro de si, lidar com isso com naturalidade contagia alegria! Você faz bem pra si e pro outro. Essa é a revolução que Gandhi dizia “Seja a mudança que você quer para o mundo”. Pare de reclamar do outro, puta hipocrisia que eu vejo por aí, falar mal de você não pode né bonito? Te criticar não pode né xuxuzinho? Isso te deixa puto né? Mas por que você vai a uma festa só para falar mal dos outros?

“Seja a mudança que você quer para o mundo”.

Também não gosta que sejam falsos com você né? De gente que finge que gosta de você “puta falsão!!!” né? Mas você realmente disse que gostou do presente aquele dia por que estava feliz ? Ou tava só fazendo média? Precisava mesmo de tanta cena? E se fosse com você? Serve a pele do outro nessas horas?

“Seja a mudança que você quer para o mundo”.

Quando você chega em um novo ambiente ou conhece uma nova pessoa, repare você parte do principio "desconfiar antes de confiar" ou "confiar e conhecer"? Porque? Porque isso faz uma puta diferença! Desconfiar antes de confiar é subestimar! Perguntinha básica: você gosta que desconfiem de você?

“Seja a mudança que você quer para o mundo”.
Gente pra fazer discursos prontos de bondade tem um monte! Agora gente que faz o que diz, desculpa mas eu conheço 5.
Ser consciente é ser verdadeiro consigo mesmo e com os outros como consequência.
Buscar um sentido em si e não na vida! E se não achar nenhum sentido em si, talvez esse seja o começo do sentido; como eu já disse, entender as ironias da vida e aceita-las é básico para iniciar o exercício de auto conhecimento; a falta de sentido em si próprio é sinal de que mudanças são bem vindas, que você sempre está crescendo e mudando, sempre está perdendo o sentido para se encontrar novamente, é perder para se reencontrar!
Sem conclusões, pois como já disse, conclusões são as prisões das idéias, e eu mudo, mudo sempre de opinião, essa é a única certeza que tenho.