sexta-feira, 16 de julho de 2010

Mudos no metrô.


No metrô minha voz não sai. Reparei que a de muitas pessoas também não.


O metrô é um ambiente mudo. Do indivíduo em sua ilha. Estamos ali todos juntos e todos sozinhos, mudos. Me descobri muda no metrô e percebi que tenho meus iguais.


A rotina nos transforma em seres ausentes dos espaços coletivos, muitos lêem livros ou ouvem músicas, o que faz o momento da viagem mais interior.


Para quem está acompanhado ou para quem nunca realiza aquele percurso, é diferente, mas os sozinhos que vivem a rotina não têm voz.


Novas formas de comunicação surgem, a movimentação do corpo para delimitar espaço; muito necessário nessa situação; as caretas se alguém estiver trancando a porta, o sorriso de gentileza quando você se levanta para alguém sentar. Olhares se encontram o tempo todo. Todos estão quietos, mas todos se falam. Se diz sim, se diz não, se diz tudo com o olhar, com o corpo. As palavras só são usadas em último caso para os surdos, não os surdos de audição, mas os surdos da sensibilidade. Dificilmente preciso dizer “vou descer, com licença”, geralmente o digo quando o outro está de costas e não pode “ouvir” meu gestual. No geral, não é por falta de palavras, que não se comunica no metrô. Ali impera a lei do silêncio, mas como ficamos parados, frente a frente por um certo tempo, é preciso comunicar, é impossível entrar no vagão e não reparar em pelo menos cinco pessoas, por mais insociável que você seja. É o lugar de comunicação em massa não-verbal mais interessante que conheço. Nos vagões as multidões são silenciosas, não em absoluto, mas comparado aos outros tipos de multidões como em um estádio, um show, uma manifestação ou uma festa.


O único momento de sons é quando as plataformas estão muito cheias e a balburdia se torna evidente, mas não é comunicação de individuo para individuo, é o “eu” que fala para a massa, gritos, brincadeiras, os muleques mais novos se divertem, pois podem berrar, brincar; são como sons da floresta; não necessariamente palavras, mas gritinhos. Essa situação é difícil de ser descrita, mas caso queira experimentar, sugiro estação Barra Funda as 18:30 horas e estação Sé as 18:00.


Para todas as outras situações descritas é só entrar no vagão e inevitavelmente se comunicar, sem palavras.

Excentricidade por Fiódor Dostoievski


Comentário resposta para o post “Exêntricidade”

http://bigbagofdreams.blogspot.com/2010/07/excentricidade.html

da minha amiga Gabi.

“Uma coisa é de crer, fica bastante evidente: trata-se de um homem estranho, de um excêntrico até. No entanto, a estranheza e a excentricidade mais prejudicam do que permitem chamar a atenção, sobretudo quando todo mundo procura unir particularidades e encontrar ao menos algum sentido comum na balbúrdia geral. Quanto ao excêntrico, o mais das vezes é uma particularidade, um caso isolado. Não é?

Mas se os senhores não concordarem com essa última tese e responderem: “Não é assim” ou “não é sempre assim”, é possível que eu até crie ânimo em relação à importância de meu herói Aliesksiêi Fiódorovitch. Porque não só o excêntrico “nem sempre” é uma particularidade e um caso isolado, como ao contrário, vez por outra acontece de ser justo ele, talvez, que traz em si a medula do todo, enquanto os demais viventes de sua época – todos, movidos por algum vento estranho, dele estão temporariamente afastados sabe-se lá por que razão.”


Aqui o autor descreve a excentricidade da personagem:


“Na infância e na juventude era pouco expansivo e até de poucas palavras, mas não por desconfiança nem por timidez ou soturna insociabilidade, e sim até bem pelo contrário, por outro motivo qualquer, por alguma preocupação como que interior, especificamente pessoal, que não dizia respeito aos outros, mas era tão importante para ele que o fazia como que esquecer do resto. Mas amava os homens: parecia ter vivido a vida inteira acreditando plenamente neles, e entretanto nunca ninguém o considerava nem simplório, nem ingênuo. Nele havia qualquer coisa que dizia e infundia (aliás, foi assim pelo resto da vida) que ele não queria ser juiz dos homens, que não queria assumir sua condenação, embora tomado amiúde de uma tristeza muito amarga. Nesse sentido, chegou mesmo a tal ponto que ninguém poderia surpreendê-lo nem assustá-lo, e isso acontecera até em sua mais tenra juventude.”


Fiódor Dostoievski .


( Os Irmãos Karamazov)


A descrição de Aliesksiêi Fiódorovitch me faz tomar como minha própria descrição esta. Como que pode um livro escrito em 1880 descrever uma pessoa nascida em 1984 nos mínimos detalhes? Eu sei, é só uma personagem, mas foi uma grata coincidência!

Dor na garganta.


Esse texto teve inspiração em dois filmes “Preciosa” e “A fita branca”.

Dor na garganta.

Assisti ao filme Preciosa; tocante e violento. O filme ficou ecoando na minha cabeça. Fui dormir pensando na história de sofrimento da personagem. E quantas histórias como estas não existem perto de nós e em nós, em maior ou menor escala. A violência moral esteve ou está em nossas vidas e quem passa a vida sem sofrer nenhuma violência física por menor que seja, é um grande sortudo.

Nesse momento quase sono, com a imagem da personagem e de todos os símbolos de violência, senti uma dor na garganta, não no centro, mas onde ficam nossos gânglios. Como se alguém me enforcasse.

Aos 10 anos fazia aula de vôlei e sempre treinava com a mesma menina, seu nome era Samanta, mas o apelido Shamu*, era muito mais popular que seu nome.

Ninguém gostava dela, por sua aparência física e seu jeito bruto; alta, forte e desajeitada, muito diferente dos outros para ser aceita. Eu era a única que fazia dupla com ela, não éramos amigas, não tínhamos nada em comum, ela jogava bem, então era assim.

Não lembro exatamente por que, mas um dia eu não quis fazer dupla com ela, e por esse motivo, ela violentamente pegou meu pescoço e quase me enforcou, lembro da cena, do rosto vermelho da raiva dela, que doeu muito e que não chorei. Apesar disso fiz a dupla mesmo assim, não sei se por medo, ou piedade, mas nesse mesmo ano desisti do vôlei.

Eu não lembrava disso, eu escondia de mim, por isso assistir a esse filme foi uma experiência além da história.

O motivo de eu ter associado o filme, da menina obesa a esse fato ocorrido na minha infância, esclareceu duas coisas para mim, por que quando nervosa eu sinto dor no pescoço, e por que eu tenho ojeriza a obesos. Sim, eu tenho preconceito com pessoas acima do peso. O mal que fizeram a Samanta a fez violenta, e sua violência contra mim me fez inconscientemente ter raiva de gordos.

O ciclo do mal completo.

O que me faz também relacionar minha história ao filme “A fita branca”. Que justamente expõe o mal e suas origens. “A fita branca” se passa antes da era nazista Alemã e o filme propõe a discussão da maldade na infância e o que isso pode desenvolver futuramente. No caso, apoio ao nazismo.

Bom, esse é um texto de confissões, absurdamente pessoais que se auto-justifica, pois exemplifica muito bem o ciclo do mal. É necessário termos consciência de que pequenos atos individuais podem fazer grandes estragos. Reveja seus atos diariamente com o simples conceito: “Isto faz mal a mim? Faz mal ao outro?” Se sua resposta for, “Não faz mal nem a mim nem ao próximo.” Siga, se for o contrário pare. Simples.

E por toda simplicidade afirmo, toda maldade é burra.

* Shamu, nome da orca do Sea World na Disney.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Meu amor.



Meu amor não é meu pai , não precisa me dar sustento. Não é meu objeto é meu alvo. Meu amor não é meu ego.
Eu não amo a expectativa de quem ele possa ser, eu amo quem ele é. Meu amor não é parte de mim, ele é minha extensão. Meu amor não sou eu duplicada ele é um indivíduo, único.

E assim eu o amo mais, por que amo sua liberdade.

Pour mon amour.



Escrito há um ano atrás, rabiscado em um pedaço de papel.


quinta-feira, 3 de junho de 2010

Particularidades- Experiências Virtuais.


Só se descobre o outro quanto este se permite. E eu adoro desvendar as pessoas, principalmente quando elas não contam suas histórias de forma linear, quando sabem se expressar de maneira espirituosa, me interessa desde os sapatos que escolhe, até as expressões desacompanhadas de palavras, a linguagem não verbal é sempre mais reveladora.


Descobrir alguém virtualmente é tão interessante quanto conhecer aos poucos ao vivo e funciona do mesmo modo, tem que haver paciência, a cada nova informação; que vem acompanhada de julgamentos; tem que esperar por novos sinais antes de atestar um veredicto. É o jogo da tolerância e da espera.


Quase um estudo cientifico, baseado na observação, frases, fotos de perfil, cada particularidade é um pedaço que se expõe, uma parte da história do outro.


Nunca me imaginei conhecendo pessoas pela internet, por que a forma que tinha isto no meu imaginário era muito bruta, direta e invasiva. As poucas experiências que tive na adolescência me fazem recordar do questionário que se faz na primeira conversa, nome, estado civil, que música mais gosta, onde mora se estudou ou estuda o que faz da vida, hobbies, etc. Por não estarem frente a frente, sem nem saber a reação do outro, sem nem senti-lo, já confessa que brigou com o melhor amigo, trai a mulher, que está carente. É muita informação fora do seu tempo, e não tem aquele sabor do mistério, a delícia de ler as entrelinhas (que sempre dizem muito mais do que qualquer discurso).


Mas aí eu entrei no twitter e lá me achei, não preciso falar de nada específico, não preciso revelar nada que não esteja afim e ainda vou desvendando os outros aos poucos. E aos poucos surgiu algo muito inusitado pra mim, amizades com pessoas da internet. E acho que estou aceitando isto tão bem, por que é como uma relação construída na vida real, aos poucos, sem invasão, sem devastação de espaços.


Bom, ou eu que encontrei as pessoas certas por pura sorte, e acabei atraindo o que eu desejava, relações espontâneas ao seu tempo, ou os humanos estão cada vez mais humanos e menos máquinas atrás do computador. Dizer isso em tempos de bulliyng on line parece absurdo, mas até o bulliyng anônimo é mais humano do que “ Oi quer conversar? Eu sou de São Paulo e você? Trabalho como engenheiro, tenho 33 anos e gosto de Blues”. Não é assim na vida real, só na balada, o que faz qualquer conversa tão brochante quanto chat de bate-papo. Aproximações brutas definitivamente não me servem.


E nesse tipo de construção de relação engessada fica muito mais fácil mentir, afinal você tem suas inseguranças com o estranho que está do outro lado da tela; como venho dizendo nesse texto; não leu seus sinais, não sabe com quem está falando, aí na hora que ele te pergunta algo intimo você mente claro, por que seria transparente com o estranho? Enfim, pode até ser que muita gente conheceu pessoas desse modo e deu super certo, mas tô falando da minha experiência e também acho que muita gente há muito tempo antes de mim faça amizades de um modo natural.


Claro que nem todas minhas experiências atuais em desenvolver uma amizade que tinha começado no twitter deram certas, tiveram aquelas conversas do tipo questionário do IBGE. E ainda tiveram tipos que acharam que por lerem o que eu escrevo me conheciam profundamente, até minha descrição sintética recebi; eu que me exponho o tempo todo, é só saber juntar as migalhas em forma de mensagens de 140 caracteres que deixo de mim; não é ele que é gênio com poderes sobrenaturais. Esse até me irritou por sua prepotência, confesso. Não chute a porta, bata antes de entrar.


Mas o que eu acho de legal e diferente de tudo isso é que as várias mídias sociais estão mudando o nosso modo de sermos humanos na máquina, estão nos aproximando e ajudando na comunicação, tornando tudo mais real, permitindo a subjetividade.




Sei lá, tô me sentindo super incluída no mundo Geek por isso, ser nerd não é mais pejorativo como era antigamente, nerd é o novo chique!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Pensamento de cunho próprio.

Passara por quinze anos de sofrimento, a própria obsessão o curou, seu vício era pensar.

Depois de tanto racionalizar, achou todos ironicamente previsíveis, em uma deliciosa gargalhada pode se acalmar por toda a vida.

Entendeu que precisava ter passado por aquilo para chegar então a segunda ironia, não é preciso racionalizar e sim sentir.

A terceira ironia que aprendeu é que não saberia sentir o outro tão bem se antes não tivesse racionalizado tanto.

Nunca desista de divagar.



Para ouvir: http://www.gengibre.com.br/perfil/polzza

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Bem nascida, bem casada. Bem invejada.

Vogue nº381 Edição de Aniversário Maio de 2010 , Carta Editorial.

“No fim do ano do ano passado, escolheu um tomara que caia Lanvin para seu casamento, invejado por parte das presentes. Bem nascida (ela é filha de Beto Sucupira, um dos donos da AmBev e das Lojas Americanas), bem casada, Helena poderia passar a vida sem grandes preocupações nem hora para fazer nada. Mas anda ocupadíssima, virando noites por conta dos preparativos para a segunda coleção da sua marca.”

“ Mulher maravilha. Uberelegante superinteligente e muito bem casada, Carol Andraus –Miranda só não é superlativa nos gestos delicados, tom de voz suave e closet calibrado”

Reflitam.

sábado, 15 de maio de 2010

Para quê serve a minha beleza?




Para quê serve a minha beleza?

Tiro a roupa para dormir, me olho no espelho de lingerie e penso “Para quê serve esse corpo?”. Não é uma pergunta onde espero obter respostas simples, preciso de respostas existenciais.

Não sou modelo, não tenho padrão de beleza para ser uma. Eu sou feia? Não sou eu quem pode responder, é o outro. Aí está o ponto.

Olhem o caso da sub celebridade norte americana Heidi Montag a moça que ilustra esse post. Ela era feia antes? Não! Mas se submeteu a várias intervenções cirúrgicas para chegar ao padrão “Barbie americano”.

Sou bonita, e aí? Para quê serve?

A beleza é útil sim, somos amantes da beleza. A beleza encanta, fascina. Serve de contemplação e distração, para o outro, mas para o dono da beleza, essa nunca vai ser tão importante quanto é para seu observador.

E o desejo de alguém que se transforma, como Heidi Montag é se ver tão bela, como o outro a enxerga. Só que aí está a armadilha, por que ela nunca vai sentir o desejo do outro, e é isso que o verdadeiro Narcisista espera, ele não deseja apenas ser amado, sua busca é em sentir o desejo do outro como se fosse seu, o inalcançável.

Por isso existem viciados em cirurgias plásticas, incompreendidos por parentes e pela sociedade, estão em uma procura infinita.

Então, quando percebo que nunca vou sentir o verdadeiro desejo, me pergunto “ Para mim, para quê serve a minha beleza?"










Para pensar, em letras miúdas e polêmicas:

O que uma mulher pode gerar com sua beleza? Filhos e dinheiro.

Respeito, admiração, inteligência, idéias próprias, auto-estima, felicidade, não podem ser adquiridos apenas com a beleza.
Filhos e dinheiro não vão necessariamente trazer" todo o pacote de realização."

Mais motivos que me fazem questionar para quê serve a aparência.

sábado, 27 de março de 2010

A reunião das cores





Todos estavam lá, luzes coloridas.

O preto e o cinza não compareceram, sobriedade não estava na ordem do dia.

Estavam presentes apenas os tons ébrios.

Livres de espírito sem atravancamentos, dançando , sorrindo formando a aurora boreal.

A ebriedade não vinha do álcool, estavam entorpecidos de felicidade.

Em uma harmonia completa.

Cavalos de Platão




"Segundo o famoso mito que Sócrates conta a Fedro, a alma, na sua situação originária, nas margens do Iliso, pode comparar-se a um carro puxado por dois cavalos alados, um dócil e de boa raça, o outro desordeiro (os instintos sensuais e as paixões), dirigidos por um auriga (a razão), que se esforça por conduzir o carro com perfeição. Este carro, num lugar supraceleste, circula pelo mundo das idéias, que a alma contempla assim, embora não sem dificuldade. As dificuldades para guiar os dois cavalos fazem com que a alma caia: os cavalos perdem as asas, e a alma encarna num corpo. Se a alma vislumbrou, ainda que por pouco tempo, as idéias, esse corpo será humano, e não animal, e conforme as tenha contemplado mais ou menos tempo, as almas dispõem-se numa hierarquia de nove degraus, que vai do filósofo ao tirano. A origem do homem resulta, pois, da queda de uma alma, cuja procedência é divina, alma que já tivesse contemplado as idéias. Mas o homem encarnado não as recorda. Das suas asas não restam senão cotos doloridos, que se excitam quando o homem vê as coisas, porque estas fazem-no recordar as idéias, vislumbradas na existência anterior. Este é o método do conhecimento. O homem parte das coisas, não para quedar-se nelas, para encontrar nelas um ser que não tem, mas para que elas lhe provoquem uma recordação ou reminiscência (anamnesis) das idéias contempladas noutro tempo. Conhecer, portanto, não é ver o que está fora, mas o contrário: recordar o que está dentro de nós. As coisas são apenas um estímulo para que delas nos afastemos e nos elevemos até as idéias".

Julián Marías, filósofo espanhol.

Fonte: http://noiteinterminavel.blogspot.com/2005/07/plato-explica.html

terça-feira, 2 de março de 2010

É natural humanizar.

É natural humanizar.

Fiquei pensando na curiosa relação entre humanos e animais domésticos, gostamos deles pois não levam nenhuma carga psicológica, não cobram, só ficam tristes se doentes ou sozinhos, não tem tantas necessidades emocionais quanto nós e por isso são leves e só nos trazem alegrias.

Agora quando nosso animal de estimação fica doente, muito doente, nós o humanizamos, no sentido de que passamos muito da nossa carga emocional para aquele serzinho, sentimos que ele sofre, como nós, isso é lindo é o que nós faz sentir piedade, amor e dá impulso a generosidade.

Gostarmos tanto desses bichichos por eles serem simples emocionalmente, frágeis , nos permitem transferências sem cobranças profundas de amor por parte deles.

Cachorro não precisa de sapato, perfume, etc. Quem faz isso apenas está transferindo pro bicho o que é uma necessidade para o dono, se não maltratar o animal, não vejo problema algum em certos mimos humanos, mas também tem muita gente mal resolvida que desconta a raiva no seu animal. Crueldade, humana.

É óbvio que é natural humanizar, da mesma maneira que é natural simpatizar com alguém que leva na personalidade algo de algum conhecido que você já ama posteriormente. Nós , só temos a nossa história pessoal, para projetar e vermos o mundo através dela. São nossos olhos que enxergam, nossa pele que sente, nossos sentidos que vivem e não dos outros.

O caso é, animais são humanizados e humanos? O quanto você enxerga o próximo como um igual a você? Não tem como discordar que é muito mais trabalhoso lidar com um ser humano do que com um bichinho, nos clamamos por muito mais do que cafunés, atenção, comida, higiene, passeio e água. Somos infinitamente mais complexos e trabalhosos.

E quando você é capaz de amar sem julgar, capaz de enxergar o humano em cada um, e vem uma grande surpresa!? Você se depara com alguém que pouco se parece com você, pouco tem de humano. As primeiras reações, que podem durar meses ou anos é procurar identificação com aquele ser, empatia “afinal, ele não pode ser tão mau assim”, é natural buscarmos o humano, entender a história daquela pessoa, minimizar seus erros, por que sempre se acredita que ele ou ela é espelho seu, e não pode ser tão diferente, tão mais cruel, tão sem sentimentos.

É natural humanizar, mas e quando o humano não tem humanidade?

Você procura por todos os cantos uma identificação, até acredita encontrar, mas é como uma ilusão de ótica quando encontra estava apenas olhando para dentro de si. Toma conta disso, mas como um desbravador volta, quer encontrar uma luz perdida por ali, mas novamente se depara apenas com um lago espelhado. Nessa terra escura sabe reconhecer que nem tudo de luz ali dentro é espelho, existe lá em lugares incomuns e inesperados, faíscas alegres com cores de vida, mas entre essa busca vê muitos buracos negros, incompreensíveis misteriosos, obscuros, cruéis por sua complexidade, que te fazem apagar da memória as faíscas cores de vida.

Não chego a conclusão alguma, só o sentimento de impotência e frustração. Decidi fugir desse lugar, vai ver que muitas vezes o espelho que me olhou estava me mostrando que também tenho meu lado ruim, desumano e eu não soube lidar com isso.

Não sei mesmo, mas sinceramente, é preferível o sentimento de frustração do que raiva. E dessa experiência muitas vezes desagradável aprendi muito mais sobre tolerância com um intolerante do que com os tolerantes e ainda escrevi esse texto.

Tudo vale nessa vida! Até mastigar papel de jornal. É esse gosto que sinto.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Restart

Esse texto não tem o menor embasamento. São apenas sentimentos. Feel it.
Com direito a narração entusiasmada aqui: http://www.gengibre.com.br/polzza


Restart

Preciso parar de pensar para poder voltar a pensar plenamente.

Virar um legume, dar um tempo nos livros, nos papos cabeça, nas reflexões profundas, vou parar de ler jornal, os blogs interessantes e documentários e filmes bons.

Vou assistir ao Gugu, me entregar ao Faustão, a novela das 20 horas, um pouco de BBB , vou escutar um funk, passear no shopping, ler sobre fofoca.

Tudo com a intenção de causar uma grande dor estomacal e vômitos de ignorância.

Assim ficarei vazia de conteúdo e limpa, podendo preencher o copo novamente.

Não que eu menospreze as futilidades e ignorâncias da vida, não estou me desfazendo delas só por dizer que vou utilizá-las como purgantes, mas agora nesse momento eu preciso da burrice, da ignorância da sandice, do pensamento leguminoso, do ser sem motivos de ser.

É preciso a liberdade da ignorância, um pouco de vazio, a alienação, o riso dos tolos o pão e circo que servem a nós o povo.

Eu quero o nada, o vácuo, o tédio. Viva a ignorância!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Reforçando a idéia com Gilles Lipovetsky

Para afirmar e reforçar esse meu texto: http://devaneiodepaola.blogspot.com/2009/12/moda-de-rua-reflexao-sobre-um.html , decidi compartilhar um dos melhores trechos do livro "O império do efêmero" de Gilles Lipovetsky . O livro todo é incrível , recomendo para todos que gostam de sociologia, filosofia , moda e cultura em geral.


"A moda produz inseparavelmente o melhor e o pior, a informação 24 horas por dia e o grau zero do pensamento cabe a nós combater, de onde estamos, os mitos e os a priori, limitar os malefícios da desinformação, instituir as condições de um debate público mais aberto, mais livre, mais objetivo. Dizer que o universo da sedução contribui para a dinâmica da razão não condena ao passadismo, ao "tudo dá no mesmo", a apologia beata do show biz generalizado. A Moda é acompanhada de efeitos ambíguos; o que temos de fazer trabalhar para reduzir sua inclinação "obscurantista" e aumentar sua inclinação "esclarecida", não procurando riscar num traço o strass da sedução, mas utilizando suas potencialidades liberadoras para a maioria. O terminal frívolo não pede nem a defesa incondicional, nem a excomunhão de sua ordem; se o terreno da Moda é favorável ao uso crítico da razão, faz eclodir igualmente o exílio e a confusão do pensamento: muito está por corrigir, legislar, criticar, explicar interminavelmente; a astúcia da desrazão de moda não exclui a inteligência, a livre iniciativa dos homens, a responsabilidade da sociedade sobre seu próprio futuro."



" No filme acelerado da história moderna, começa-se a verificar que, dentre todos os roteiros, o da Moda é o menos pior."

Trecho do livro "O império do efêmero, a moda e seu destino nas sociedades modernas" de Gilles Lipovetsky .

sábado, 2 de janeiro de 2010

Vi sempre o mundo independentemente de mim.

Contudo

Contudo, contudo,
Também houve gládios e flâmulas de cores
Na Primavera do que sonhei de mim.
Também a esperança
Orvalhou os campos da minha visão involuntária,
Também tive quem também me sorrisse.
Hoje estou como se esse tivesse sido outro.
Quem fui não me lembra senão como uma história apenas.
Quem serei não me interessa, como o futuro do mundo.

Caí pela escada abaixo subitamente,
E até o som de cair era a gargalhada da queda.
Cada degrau era a testemunha importuna e dura
Do ridículo que fiz de mim.

Pobre do que perdeu o lugar oferecido por não ter casaco limpo com que aparecesse,
Mas pobre também do que, sendo rico e nobre,
Perdeu o lugar do amor por não ter casaco bom dentro do desejo.
Sou imparcial como a neve.
Nunca preferi o pobre ao rico,
Como, em mim, nunca preferi nada a nada.

Vi sempre o mundo independentemente de mim.
Por trás disso estavam as minhas sensações vivíssimas,
Mas isso era outro mundo.
Contudo a minha mágoa nunca me fez ver negro o que era cor de laranja.
Acima de tudo o mundo externo!
Eu que me agüente comigo e com os comigos de mim.

Álvaro de Campos, um dos heterônimos de

Fernando Pessoa

(1888-1935)

“Vi sempre o mundo independentemente de mim”, esse trecho me pegou, sinceramente estou há dias a pensar sobre isto, a primeira reação foi de identificação, porém cheguei à conclusão que não há como acreditar cegamente que vejo o mundo independente de mim, afinal se estamos presos a alguém esse alguém somos nós e nossos símbolos.

Fernando Pessoa em sua heteronímia (artifício de multiplicar-se em outros poetas com características tão próprias) se fazia Fernando Pessoa(s). “Vou mudando de personalidade, vou enriquecendo-me na capacidade de criar personalidades novas, novos tipos de fingir que se pode compreendê-lo.” Em Drama em gente assinado como Reis.

Para ver a vida como um todo é necessário o distanciamento de sí. Quebrar paradigmas, simbologias e tradições, pelo menos na sua cabeça por um breve momento, é isto que os atores, poetas, roteiristas, diretores, etc fazem em seu processo criativo. Porém essa tentativa de se desprender de si é muito útil na vida comum, para compreender o outro.
Fingir é conhecer-se, não há uma ordem de verdade no mundo.

“O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.”
Reis, um dos heterônimos de

Fernando Pessoa

A única maneira de brincar com a vida se transformar em outros é transcender pela arte, realizar esse feito, se desprendendo de todo o seu eu.

As crianças por estarem em fase de formação têm uma visão muito mais pura do mundo do que os adultos, por isso a facilidade da imaginação as brincadeiras, as fantasias, não podemos perder a pureza do olhar infantil de estar no mesmo lugar que passamos todos os dias observar o mesmo porém atento aos detalhes, assim sempre encontraremos algo novo, por que sempre estamos muito ocupados, preocupados, centrados em si não podendo olhar o mundo em volta , é como se tivéssemos uma nuvem de fumaça nos olhos. Além do visual, por que não também se aprofundar ao observar e se atentar aos detalhes humanos? Quem é ? O que está pensando?” Analisar suas feições, vestimentas e vê-lo como ser humano e não mais um “objeto da cidade”.

Em “ O estranho caso do cachorro morto” de Mark Haddon, a personagem principal Christopher Boone é autista, e repara em tudo em cada singularidade de um novo ambiente : “É por isso que não gosto de lugares novos... Mas a maioria das pessoas é preguiçosa. Elas nunca olham todas as coisas. Elas fazem o que é chamado olhar de passagem que quer dizer que elas vêem uma coisa mas não a enxergam, de verdade. E a informação que entra na cabeça delas é realmente muito simples.” A personagem explica que se está em um lugar novo repara em cada nova informação visual, o que chega a perturbá-lo pois é muita informação nova. Mas essa idiocrasia da personagem e os heterônimos de Fernando Pessoa me fazem querer cada vez mais me desprender de mim para sempre olhar o mundo de um novo modo, mesmo que seja sempre a mesma paisagem, a mesma pessoa, a mesma cidade, sempre há nova informação para aprofundarmos.

Esse é meu desejo para o começo de um novo ano! Vamos observar mais atentamente a vida, como algo novo nunca vivido, nunca visto, mais pureza no olhar, observar mais quem você já conhece para compreendê-lo melhor!

Feliz 2010!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Moda de rua , reflexão sobre um comportamento.

Nas ruas reparei que mulheres de pouco poder aquisitivo apesar de não terem um corpo ideal de beleza contemporânea se vestem no geral de forma sexy, com calças baixas, barriga a mostra, blusas justas e decotadas.

Moda é comunicação, roupa justa e apertada transmite uma imagem sexy. Mas fato é que a indústria e a mídia de moda não consideram sexy uma “mulher fruta” por exemplo ela é vista como vulgar. 

Meu interessante não é analisar a parte fashion da situação, o que me instiga é o comportamental.

Notei que apesar do conhecimento ser superestimado nessa situação específica, este pode deturpar a liberdade  visto que as pessoas mais simples sem acesso a cultura de moda  parecem se sentir bem com seus corpos, ao ponto de estarem fora do peso e vestirem roupas pensadas pela indústria para o público magro. Por outro lado, a maioria das mulheres com acesso a informação teórica acreditam que estar acima do peso e por exemplo usar uma calça legging branca justa é uma ofensa ao bom gosto, pois de acordo com as regras isso é considerado vulgar e inadequado.

E assim pergunto qual é a verdade? A verdade que a mídia impõe, padrão magro, alto e nórdico? Um ponto interessante:  as modelos tudo podem, quem acompanha os desfiles viu que no inverno 2010 os corpos estavam amostra, micros em alta,  lingeries aparentes.

Na moda, tudo é permitido dentro do contexto estético da mulher longilínea e jovem, se você não está na idade adequada  não pode usar micro, mesmo com as pernas em dia, isso é regra, quem acompanha revistas, blogs e guias sobre o assunto sabe. Do mesmo modo mulheres de pernas muito grossas também não podem usar micros e não é questão estética de feio ou bonito, dentro da regra a mulher Melancia e suas torneadas pernas, não deve usar micros por que seu padrão de corpo é considerado vulgar. Gloria Kalil que me desminta. 

A conclusão que chego é que  mulheres muito magras podem mostrar livremente seu corpo por esse ser um padrão que não inspira sexo, e mulheres carnudas não devem mostrá-lo. Isso demonstra que o que é condenado não é apenas a roupa inadequada e sim a imagem sexual, o sexo em si.

Vivemos uma era paradoxal, enquanto a maioria dos estilistas escolhem as modelos magras por um motivo: modelos são cabides e como cabides não podem chamar mais atenção que a roupa; muitas campanhas publicitárias tem um enfoque erótico, com as mesmas mulheres de corpo adolescente transformadas em sexy simbols, se esforçando no carão e poses sensuais.

A mídia é o lugar onde a mulher é mais exposta nesse sentido, só que na vida real no geral as pessoas condenam atitudes e vestimentas que inspirem sexo. Sexo vende, todo mundo consome vive e gosta, mas é vulgar, feio, inadequado.

Voltando as moças de baixa renda que não tem vergonha de seus corpos, será que elas não são muito mais desprendidas do seu tipo físico do que a que tem acesso a informação de moda? O que fica para mim dessa reflexão é que  mulheres sem informação de moda muitas vezes são mais livres do que as que possuem por estarem presas as regras.


domingo, 8 de novembro de 2009

Neandertal

Só os gênios conseguem se aproximar do inconsciente, transformá-lo em consciente e comunicar-se com precisão toda a verdade do seu ser, através das artes, literatura, cinema e moda. Não sei fazer isso, então abstraio em linguagem sumária o que sinto. A minha verdade apenas não foi bem traduzida mas garanto que é pura.

Sou apenas uma neandertal nesse mundo de Dostoievski, Clarice Lispector, Goethe, Picasso, Da Vinci, Niemeyer, Chico Buarque e tantos outros ...

Mas a essência é o que importa quando você deseja se expressar. Toda arte é válida.

E enquanto pláteia, eu admiro.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Roxo que não é Rojo.


Por dentro é colorido, tons alegres e doces. Mas a película de fora possui um certo tom de roxo. Nem lilás, nem violeta. Simples roxo.

A expressão da elegância e também da arrogância.

Roxo que significa força para esconder as fraquezas.

É o escudo, a película, a capa protetora. Necessária.

O recheio é sempre doce depois que se morde a casca amarga.
Sinto nisso o melhor sabor do mundo. É como a textura do cacau, o macio do marshmallow e o gosto da delicadeza.

Entender não é necessário. Não existe entendimento, nem tudo tem resposta, às vezes os padrões não existem.

Isso é um desafio aos limites e a tudo que foi imposto. Um desafio a lógica e a razão.
É puro, límpido , verdadeiro.

Ocupar o espaço além de mim, exceder fronteiras.
Ir além do que já vi.

Construir como verdade o que imaginei , mas nunca vivi.

"Alice no país das maravilhas" , "A Metamorfose" de Kafka e o Anticristo de Lars Von Trier. Enredos distintos, mas com uma sedutora semelhança: fuga dos padrões.

Termino o texto pela metade como sempre e dizendo : "Frases desconexas sempre têm o seu significado." Não que isso tenha haver com o que escrevi até agora, ou queira dizer algo.

Desconstruir para construir.

Ilustração: Paola P.

domingo, 16 de agosto de 2009

A idéia é o combustível e criar é o fogo.

Êxtase, emoção, tremeliques, a energia passa pelo corpo todo.

Essas sensações podem ser atribuídas a muitas ações humanas, como o sexo por exemplo. Mas a ação que estou descrevendo é o ato de criar.


Quando começa, não dá para parar, o tempo passa sem penar.


Diferente do prazer do sexo e da boa comida, criar congela o tempo e nos torna pelo menos naqueles instantes incontáveis, imortais.

Isto é : é a mais bela forma de transcender.


Fato. Vamos morrer.

Cura. Não há.

Prevenção temporária para essa angústia : criar.


Freud, denominou as maneiras criativas de expressão de sublimação , “ capacidade de um individuo expressar a angústia, a agressividade, as formas em conflito, de forma criativa. Sem multilá-las”

Em palavras chulas e curtas, quem não tenta ver a vida “cor-de-rosa”, acaba extravasando seu sentimento de outra forma e faz merda, invadindo indevidamente o espaço alheio.


Por isso levar arte, música, dança, literatura em uma região carente de cultura como uma favela, é muito vantajoso para toda a sociedade.

E sinceramente, acho preconceituoso meu discurso, pois infelizmente em todo o nosso ambiente social existem pessoas extravasando suas angústias de forma a agredir o próximo.

Seja apontando uma arma na sua cabeça, seja diminuindo verbalmente e gratuitamente outro ser humano.


“ A gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão e arte”.


Arnaldo Antunes transpôs claramente isto nessa letra. Nossa fome é muito maior do que as necessidades instintivas básicas. E é isso que nós difere dos outros animais.

Não adianta pão e circo pro povo, à carência é mais profunda! A maneira de lidar com as tensões pode resultar em algo produtivo ou desastroso.


Vá criar! Escreva, pinte, dance, ame a vida, se está com raiva escreva sobre isso, faça uma escultura destrutiva, se está amando grite para o mundo !!! Mesmo que ninguém te ouça, faça ! É como tirar um peso das costas! Até um desenho de qualquer jeito como esse meu vale! TENTE!


Seja sublime perante a sua vida!


Paola Perazza.


ps.

passou, criei meu texto. Me senti mais longínqua na minha existência. Sosseguei hehehe!



ps 2.

Indico super para quem gostou da idéia de se expressar ler esse texto da Gabi do "Big bag of dreams" muito bom, está lá uma maneira de extravasar! http://bigbagofdreams.blogspot.com/2009/08/dance-palavra-mais-bonita-no-ingles.html

sábado, 15 de agosto de 2009

Mamacita


Suave forte abraço,
Acalenta.
Traços delicados,
Imagem e coração doce.
Distância de gerações e cultura.
Sem abismos nos sentimentos.
Olhos que falam.
Afagos fraternos.
Lágrimas que rolam.
Amor não verbal.
O futuro que é comum a todos traz comoção.
O conselho a mim foi dito sem palavras.
“Aproveite a vida.”
Grande genetriz
Seu rebento, espelho de você
Valioso, graças a essa grande mulher.

Palavras , ínfimas diante da gratidão.

Te amo Mamacita.

Polzza

Oléo sobre tela por Paola Perazza, ano 2000
Para ouvir a narração : http://www.gengibre.com.br/perfil/polzza

domingo, 9 de agosto de 2009

Guido Crepax e a sua musa Valentina.


Guido Crepax, italiano e desenhista de histórias em quadrinhos. Criou em 1964 Valentina , sua musa.

Admiro Guido, pois ele era um verdadeiro amante das mulheres. Seus quadrinhos representavam a emancipação sexual feminina. Poucos homens amam as mulheres como Guido amava.

Esse trecho da história ilustra bem o quanto Guido nos admirava. Amar uma mulher está além de desejar seu corpo, o verdadeiro Don-Juan respeita todo o seu conjunto, admira o seu todo , corpo e mente, buscando o prazer mútuo .

" Independente, com seu inconfundível vestido tubinho, mas sem perder certo romantismo feminino, Valentina virara referência para garotas que lutavam para se libertar das amarras da submissão ao machismo e da culpa estabelecida pela maioria das religiões. Incorporara, enfim, a nova mulher que surgia, dona da sua vida e que não tinha pudores para fazer sexo."

Texto e imagem : Livro "Tentação a Italiana - um perfil dos mestres do erotismo contemporâneo" .Gonçalo Junior . Vinhedo- SP: Opera Graphica Editora, 2005 .

Proibido o uso de meias palavras.

O que você vê a sua frente? Meia pessoa ou uma pessoa inteira?
Pois respondo, uma pessoa completa é o que sou.
Então, não me venha apenas com metade.
Se apresente a mim por inteiro.

Se quiser ser malígno, seja.
Se quer saber o que penso, pergunte.
Se me quer, DIGA, agora.

Eu não sou lâmpada e nem você mariposa.

Não me oponho ao seu jogo por falta de interpretação.

Compreendo suas metáforas
Traduzo seus sinais .
Assimilo suas idéias.

Confronto-te, pois só os covardes e arrogantes utilizam indiretas.


Venha, chegue mais perto, seja completo.


Paola Perazza.


Para ouvir a narração : http://www.gengibre.com.br/perfil/polzza

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Murillo , o homem sem defeitos.




Apenas um homem é capaz de desvendar toda essa história.

Murillo , o homem sem defeitos.

Perfeito de rosto alvo e cabelos negros
Nariz de triângulo , pele de pêssego, barba de homem.
Olhos grandes que me olham famintos.

Sua altura é exata .
Meu número!

Pode deixar, que vou levar.

Embrulha pra viagem, por que é pra toda a vida.

Texto e ilustração: Polzza

Para ouvir a narração: http://www.gengibre.com.br/perfil/polzza

Um tanto bimbo e um tanto Sandy .



Sou Bimbo e também sou Sandy . Sou de Vênus e meu lado masculino é Dândi.


Escapista, realista, fútil e profunda.


Em busca de evoluir o cérebro e também em ter uma boa bunda.




Ilustração e texto: Polzza

Para ouvir a narração: http://www.gengibre.com.br/perfil/polzza

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Uma tela em branco




Uma tela em branco é assim que toda mulher deveria se ver,
Já nascemos completas

Nosso rosto é bem feito,
O corpo orgânico, com formas.

Uma tela em branco.

Estude suas proporções
Se olhe no espelho se imagine como uma obra prima.

Uma tela em branco.

Pinte os olhos,
Se inspire.
Se você já é artista, entende de composições formas e cores , se veja como uma tela, se transforme.
Se é leiga não entende a arte, se torne artista,  encontre-se em sua melhor forma.

A roupa certa não é a roupa que está na modelo, não é a roupa da ultima tendência é aquela que vai ficar bem em você , que vai deixar o seu colo mais bonito, se essa for sua melhor qualidade.

A roupa certa vai deixar sua silueta mais interessante.
Se olhe no espelho, a sua pele, como é sua pele?
Quais são as suas cores? Qual é a cor dos seus olhos?
Tem olhos castanhos e os acha comuns? Não se engane, existem tons diferentes e interessantes de castanho.
Seus lábios são como ? finos? Rosados? Se estude.
Se olhe como se fosse um experimento. Nua.
Se goste, se ame, explore suas qualidades.
Você é uma tela em branco,
Não adianta querer parecer outra pessoa.

Aprenda.

Não adianta olhar para os padrões de beleza e se espelhar nisso .

Encontre a sua beleza, encontre em que tom e forma o seu cabelo vai ficar mais bonito, como valorizar o seus olhos, o que de melhor você tem no rosto, que vestes deixam sua silhueta mais interessante,
Toda mulher tem a sua beleza, veja a sua beleza
E quando você entrar em um lugar e todo mundo parar e olhar para você,
você entendeu o que é se ver como uma tela em branco.
Todo dia somos apenas uma tela em branco prontas para a brincadeira.
Parece fútil, mas não é fútil, é uma arte.

Não pense em quem você quer ser, apenas seja quem você é.

A imagem transcende.



Todas nós somos, uma tela em branco.


segunda-feira, 9 de março de 2009

Num dia claro de verão

Hoje, assisti ao filme "Num dia claro de verão" com Barbra Streisand e direção de Vicente Minneli, de 1970. Jack Nicholson faz uma pontinha no filme e tanto ele quanto a Barbra estão super novinhos. Eu adoro o Sir. Nicholson novinho ! Ele nunca foi bonito, nem galã, mas esse homem tem um charme !

Bom, essas fotos comparativas da Amy e da Barbra estão aqui por que no filme a semelhança está além da aparência física, está no olhar, eu nunca nem tinha notado que as duas são parecidas, mas ao ver Barbra novinha, reparei na semelhança.

Barbra mudou bastante, não tem mais esse rostinho de baby, se a Amy parar com a vida junkie que ela leva acredito que quando envelhecer vai se parecer com a titia Barbra.

Sobre o filme, para quem se interessou e quiser assistir, eu achei meio fraco, e tem umas partes que são tipo musical, o que me irrita , apesar de gostar da voz da Barbra não é meu tipo de filme , acho que vale mais pelo figurino e pelo Jack Nicholson ! rs!

Primeiro Devaneio

Devaneio: acto de devanear; sonho; fantasia; capricho da imaginação; quimera; delírio; desvario.

Não existe maneira melhor do que essa para descrever esse blog.

Bem vindos! Mi casa su casa.

Paola