sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Reforçando a idéia com Gilles Lipovetsky
"A moda produz inseparavelmente o melhor e o pior, a informação 24 horas por dia e o grau zero do pensamento cabe a nós combater, de onde estamos, os mitos e os a priori, limitar os malefícios da desinformação, instituir as condições de um debate público mais aberto, mais livre, mais objetivo. Dizer que o universo da sedução contribui para a dinâmica da razão não condena ao passadismo, ao "tudo dá no mesmo", a apologia beata do show biz generalizado. A Moda é acompanhada de efeitos ambíguos; o que temos de fazer trabalhar para reduzir sua inclinação "obscurantista" e aumentar sua inclinação "esclarecida", não procurando riscar num traço o strass da sedução, mas utilizando suas potencialidades liberadoras para a maioria. O terminal frívolo não pede nem a defesa incondicional, nem a excomunhão de sua ordem; se o terreno da Moda é favorável ao uso crítico da razão, faz eclodir igualmente o exílio e a confusão do pensamento: muito está por corrigir, legislar, criticar, explicar interminavelmente; a astúcia da desrazão de moda não exclui a inteligência, a livre iniciativa dos homens, a responsabilidade da sociedade sobre seu próprio futuro."
" No filme acelerado da história moderna, começa-se a verificar que, dentre todos os roteiros, o da Moda é o menos pior."
Trecho do livro "O império do efêmero, a moda e seu destino nas sociedades modernas" de Gilles Lipovetsky .
sábado, 2 de janeiro de 2010
Vi sempre o mundo independentemente de mim.
Contudo, contudo,
Também houve gládios e flâmulas de cores
Na Primavera do que sonhei de mim.
Também a esperança
Orvalhou os campos da minha visão involuntária,
Também tive quem também me sorrisse.
Hoje estou como se esse tivesse sido outro.
Quem fui não me lembra senão como uma história apenas.
Quem serei não me interessa, como o futuro do mundo.
Caí pela escada abaixo subitamente,
E até o som de cair era a gargalhada da queda.
Cada degrau era a testemunha importuna e dura
Do ridículo que fiz de mim.
Pobre do que perdeu o lugar oferecido por não ter casaco limpo com que aparecesse,
Mas pobre também do que, sendo rico e nobre,
Perdeu o lugar do amor por não ter casaco bom dentro do desejo.
Sou imparcial como a neve.
Nunca preferi o pobre ao rico,
Como, em mim, nunca preferi nada a nada.
Vi sempre o mundo independentemente de mim.
Por trás disso estavam as minhas sensações vivíssimas,
Mas isso era outro mundo.
Contudo a minha mágoa nunca me fez ver negro o que era cor de laranja.
Acima de tudo o mundo externo!
Eu que me agüente comigo e com os comigos de mim.
Álvaro de Campos, um dos heterônimos de
Fernando Pessoa
(1888-1935)
“Vi sempre o mundo independentemente de mim”, esse trecho me pegou, sinceramente estou há dias a pensar sobre isto, a primeira reação foi de identificação, porém cheguei à conclusão que não há como acreditar cegamente que vejo o mundo independente de mim, afinal se estamos presos a alguém esse alguém somos nós e nossos símbolos.
Fernando Pessoa em sua heteronímia (artifício de multiplicar-se em outros poetas com características tão próprias) se fazia Fernando Pessoa(s). “Vou mudando de personalidade, vou enriquecendo-me na capacidade de criar personalidades novas, novos tipos de fingir que se pode compreendê-lo.” Em Drama em gente assinado como Reis.
Para ver a vida como um todo é necessário o distanciamento de sí. Quebrar paradigmas, simbologias e tradições, pelo menos na sua cabeça por um breve momento, é isto que os atores, poetas, roteiristas, diretores, etc fazem em seu processo criativo. Porém essa tentativa de se desprender de si é muito útil na vida comum, para compreender o outro.
Fingir é conhecer-se, não há uma ordem de verdade no mundo.
“O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.”
Reis, um dos heterônimos de
Fernando Pessoa
A única maneira de brincar com a vida se transformar em outros é transcender pela arte, realizar esse feito, se desprendendo de todo o seu eu.
As crianças por estarem em fase de formação têm uma visão muito mais pura do mundo do que os adultos, por isso a facilidade da imaginação as brincadeiras, as fantasias, não podemos perder a pureza do olhar infantil de estar no mesmo lugar que passamos todos os dias observar o mesmo porém atento aos detalhes, assim sempre encontraremos algo novo, por que sempre estamos muito ocupados, preocupados, centrados em si não podendo olhar o mundo em volta , é como se tivéssemos uma nuvem de fumaça nos olhos. Além do visual, por que não também se aprofundar ao observar e se atentar aos detalhes humanos? Quem é ? O que está pensando?” Analisar suas feições, vestimentas e vê-lo como ser humano e não mais um “objeto da cidade”.
Em “ O estranho caso do cachorro morto” de Mark Haddon, a personagem principal Christopher Boone é autista, e repara em tudo em cada singularidade de um novo ambiente : “É por isso que não gosto de lugares novos... Mas a maioria das pessoas é preguiçosa. Elas nunca olham todas as coisas. Elas fazem o que é chamado olhar de passagem que quer dizer que elas vêem uma coisa mas não a enxergam, de verdade. E a informação que entra na cabeça delas é realmente muito simples.” A personagem explica que se está em um lugar novo repara em cada nova informação visual, o que chega a perturbá-lo pois é muita informação nova. Mas essa idiocrasia da personagem e os heterônimos de Fernando Pessoa me fazem querer cada vez mais me desprender de mim para sempre olhar o mundo de um novo modo, mesmo que seja sempre a mesma paisagem, a mesma pessoa, a mesma cidade, sempre há nova informação para aprofundarmos.
Esse é meu desejo para o começo de um novo ano! Vamos observar mais atentamente a vida, como algo novo nunca vivido, nunca visto, mais pureza no olhar, observar mais quem você já conhece para compreendê-lo melhor!
Feliz 2010!
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Moda de rua , reflexão sobre um comportamento.
domingo, 8 de novembro de 2009
Neandertal
Sou apenas uma neandertal nesse mundo de Dostoievski, Clarice Lispector, Goethe, Picasso, Da Vinci, Niemeyer, Chico Buarque e tantos outros ...
Mas a essência é o que importa quando você deseja se expressar. Toda arte é válida.
E enquanto pláteia, eu admiro.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Roxo que não é Rojo.

Por dentro é colorido, tons alegres e doces. Mas a película de fora possui um certo tom de roxo. Nem lilás, nem violeta. Simples roxo.
A expressão da elegância e também da arrogância.
Roxo que significa força para esconder as fraquezas.
É o escudo, a película, a capa protetora. Necessária.
O recheio é sempre doce depois que se morde a casca amarga.
Sinto nisso o melhor sabor do mundo. É como a textura do cacau, o macio do marshmallow e o gosto da delicadeza.
Entender não é necessário. Não existe entendimento, nem tudo tem resposta, às vezes os padrões não existem.
Isso é um desafio aos limites e a tudo que foi imposto. Um desafio a lógica e a razão.
É puro, límpido , verdadeiro.
Ocupar o espaço além de mim, exceder fronteiras.
Ir além do que já vi.
Construir como verdade o que imaginei , mas nunca vivi.
"Alice no país das maravilhas" , "A Metamorfose" de Kafka e o Anticristo de Lars Von Trier. Enredos distintos, mas com uma sedutora semelhança: fuga dos padrões.
Termino o texto pela metade como sempre e dizendo : "Frases desconexas sempre têm o seu significado." Não que isso tenha haver com o que escrevi até agora, ou queira dizer algo.
Desconstruir para construir.
Ilustração: Paola P.
domingo, 16 de agosto de 2009
A idéia é o combustível e criar é o fogo.
Êxtase, emoção, tremeliques, a energia passa pelo corpo todo.
Essas sensações podem ser atribuídas a muitas ações humanas, como o sexo por exemplo. Mas a ação que estou descrevendo é o ato de criar.
Quando começa, não dá para parar, o tempo passa sem penar.
Diferente do prazer do sexo e da boa comida, criar congela o tempo e nos torna pelo menos naqueles instantes incontáveis, imortais.
Isto é : é a mais bela forma de transcender.
Fato. Vamos morrer.
Cura. Não há.
Prevenção temporária para essa angústia : criar.
Freud, denominou as maneiras criativas de expressão de sublimação , “ capacidade de um individuo expressar a angústia, a agressividade, as formas em conflito, de forma criativa. Sem multilá-las”
Em palavras chulas e curtas, quem não tenta ver a vida “cor-de-rosa”, acaba extravasando seu sentimento de outra forma e faz merda, invadindo indevidamente o espaço alheio.
Por isso levar arte, música, dança, literatura em uma região carente de cultura como uma favela, é muito vantajoso para toda a sociedade.
E sinceramente, acho preconceituoso meu discurso, pois infelizmente em todo o nosso ambiente social existem pessoas extravasando suas angústias de forma a agredir o próximo.
Seja apontando uma arma na sua cabeça, seja diminuindo verbalmente e gratuitamente outro ser humano.
“ A gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão e arte”.
Arnaldo Antunes transpôs claramente isto nessa letra. Nossa fome é muito maior do que as necessidades instintivas básicas. E é isso que nós difere dos outros animais.
Não adianta pão e circo pro povo, à carência é mais profunda! A maneira de lidar com as tensões pode resultar em algo produtivo ou desastroso.
Vá criar! Escreva, pinte, dance, ame a vida, se está com raiva escreva sobre isso, faça uma escultura destrutiva, se está amando grite para o mundo !!! Mesmo que ninguém te ouça, faça ! É como tirar um peso das costas! Até um desenho de qualquer jeito como esse meu vale! TENTE!
Seja sublime perante a sua vida!
ps.
passou, criei meu texto. Me senti mais longínqua na minha existência. Sosseguei hehehe!
ps 2.
Indico super para quem gostou da idéia de se expressar ler esse texto da Gabi do "Big bag of dreams" muito bom, está lá uma maneira de extravasar! http://bigbagofdreams.blogspot.com/2009/08/dance-palavra-mais-bonita-no-ingles.html
sábado, 15 de agosto de 2009
Mamacita

Suave forte abraço,
Acalenta.
Traços delicados,
Imagem e coração doce.
Distância de gerações e cultura.
Sem abismos nos sentimentos.
Olhos que falam.
Afagos fraternos.
Lágrimas que rolam.
Amor não verbal.
O futuro que é comum a todos traz comoção.
O conselho a mim foi dito sem palavras.
“Aproveite a vida.”
Grande genetriz
Seu rebento, espelho de você
Valioso, graças a essa grande mulher.
Palavras , ínfimas diante da gratidão.
Te amo Mamacita.
Polzza
Oléo sobre tela por Paola Perazza, ano 2000
Para ouvir a narração : http://www.gengibre.com.br/perfil/polzza
domingo, 9 de agosto de 2009
Guido Crepax e a sua musa Valentina.

Guido Crepax, italiano e desenhista de histórias em quadrinhos. Criou em 1964 Valentina , sua musa.
Admiro Guido, pois ele era um verdadeiro amante das mulheres. Seus quadrinhos representavam a emancipação sexual feminina. Poucos homens amam as mulheres como Guido amava.
Esse trecho da história ilustra bem o quanto Guido nos admirava. Amar uma mulher está além de desejar seu corpo, o verdadeiro Don-Juan respeita todo o seu conjunto, admira o seu todo , corpo e mente, buscando o prazer mútuo .
" Independente, com seu inconfundível vestido tubinho, mas sem perder certo romantismo feminino, Valentina virara referência para garotas que lutavam para se libertar das amarras da submissão ao machismo e da culpa estabelecida pela maioria das religiões. Incorporara, enfim, a nova mulher que surgia, dona da sua vida e que não tinha pudores para fazer sexo."
Texto e imagem : Livro "Tentação a Italiana - um perfil dos mestres do erotismo contemporâneo" .Gonçalo Junior . Vinhedo- SP: Opera Graphica Editora, 2005 .
Proibido o uso de meias palavras.
O que você vê a sua frente? Meia pessoa ou uma pessoa inteira?Pois respondo, uma pessoa completa é o que sou.
Então, não me venha apenas com metade.
Se apresente a mim por inteiro.
Se quiser ser malígno, seja.
Se quer saber o que penso, pergunte.
Se me quer, DIGA, agora.
Eu não sou lâmpada e nem você mariposa.
Não me oponho ao seu jogo por falta de interpretação.
Compreendo suas metáforas
Traduzo seus sinais .
Assimilo suas idéias.
Confronto-te, pois só os covardes e arrogantes utilizam indiretas.
Venha, chegue mais perto, seja completo.
Paola Perazza.
Para ouvir a narração : http://www.gengibre.com.br/perfil/polzza
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Murillo , o homem sem defeitos.
Apenas um homem é capaz de desvendar toda essa história.
Murillo , o homem sem defeitos.
Perfeito de rosto alvo e cabelos negros
Nariz de triângulo , pele de pêssego, barba de homem.
Olhos grandes que me olham famintos.
Sua altura é exata .
Meu número!
Pode deixar, que vou levar.
Embrulha pra viagem, por que é pra toda a vida.
Texto e ilustração: Polzza
Para ouvir a narração: http://www.gengibre.com.br/perfil/polzza
Um tanto bimbo e um tanto Sandy .
Sou Bimbo e também sou Sandy . Sou de Vênus e meu lado masculino é Dândi.
Escapista, realista, fútil e profunda.
Em busca de evoluir o cérebro e também em ter uma boa bunda.
Ilustração e texto: Polzza
Para ouvir a narração: http://www.gengibre.com.br/perfil/polzza
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Uma tela em branco
segunda-feira, 9 de março de 2009
Num dia claro de verão
Bom, essas fotos comparativas da Amy e da Barbra estão aqui por que no filme a semelhança está além da aparência física, está no olhar, eu nunca nem tinha notado que as duas são parecidas, mas ao ver Barbra novinha, reparei na semelhança.
Barbra mudou bastante, não tem mais esse rostinho de baby, se a Amy parar com a vida junkie que ela leva acredito que quando envelhecer vai se parecer com a titia Barbra.
Sobre o filme, para quem se interessou e quiser assistir, eu achei meio fraco, e tem umas partes que são tipo musical, o que me irrita , apesar de gostar da voz da Barbra não é meu tipo de filme , acho que vale mais pelo figurino e pelo Jack Nicholson ! rs!



